Ancara - O ministro da Economia turco, Kemal Dervis, arquiteto do programa de reforma econômica de seu país, anunciou ontem sua demissão, em meio à campanha eleitoral para as eleições gerais de 3 de novembro.
Dervis disse a jornalistas que continuará seus esforços para ''construir uma coalizão unificada'' de partidos esquerdistas antes das eleições.
O ex-vice-presidente do Banco Mundial, politicamente independente, apresentou sua demissão em junho passado para aderir-se ao Partido da Nova Turquia (PNT), um grupo político formado pelo ex-ministro de Assuntos Exteriores Ismail Cem.
Mas naquele momento aceitou permanecer temporariamente no gabinete a pedido do primeiro-ministro, Bulent Ecevit, que então resistia às tentativas de quase todos os grupos políticos turcos para convocar eleições antecipadas.
O Parlamento turco decidiu em 31 de julho adiantar para 3 de novembro as eleições, previstas a princípio para abril de 2004, ante a crise institucional aberta depois que dezenas de deputados do Partido da Esquerda Democrática (PID), de Ecevit, decidiram passar para o grupo misto, o que deixou em minoria a coalizão tripartida de Governo.
A crítica situação aumentou no ano passado por causa dos graves problemas de saúde de Ecevit, quem por prescrição médica permaneceu recluso em sua casa, mas não admitiu adiantar as eleições apesar das últimas pequisas que dão a seu partido dois por cento de popularidade entre a população.
Além disso, a Turquia vive uma séria crise econômica, a mais grave desde 1945, o que provocou a desvalorização da moeda local e deixou perto de um milhão de turcos sem trabalho.
''Decidi apresentar minha demissão depois de estudar a situação no país'', acrescentou Dervis, que desempenhou um importante papel nas negociações entre a Turquia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprovou em fevereiro um programa de ajuda à economia turca de 17 bilhões de dólares.

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