‘‘A sociedade quer que se faça justiça e pede o fim da impunidade.’’ A declaração foi feita ontem pelo novo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Miguel Abdón Sanguier. Foi sua forma de expressar o descontentamento do novo governo com o asilo concedido ao ex-presidente Raúl Cubas e o ex-general Lino Oviedo por parte do Brasil e Argentina.
Saguier pertence ao oposicionista Partido Liberal e é um dos quatro ministros que integram o novo governo provisório de Luis González Macchi.
As declarações de Sanguier não são necessariamente compartilhadas pelos outros ministros, seis deles pertencentes ao Partido Colorado. O novo gabinete, empossado ontem, está mais interessado em levar de volta para casa o general golpista Lino Oviedo. Ele é considerado o verdadeiro poder durante os oito meses de duração do governo Cubas.
‘‘A democracia deve ser construída sobre a base da Justiça’’, disse o novo presidente do Senado, o colorado Juan Carlos Galaverna. Durante a crise, ele foi quem mais defendeu o julgamento político do ex-presidente Cubas. O presidente González Macchi, até agora, não se manifestou sobre o assunto.
Chegada na madrugada O ex-presidente do Paraguai Raúl
Cubas, que obteve asilo político no Brasil, chegou no início da madrugada de ontem ao Aeroporto de Navegantes, em Itajaí (SC). Ao desembarcar, Cubas evitou dar declarações à imprensa. De lá, seguiu para o Balneário Camboriú, onde é dono de um apartamento. O ex-presidente paraguaio entrou no Brasil com visto de turista, que tem duração de 90 dias.
Cubas buscou refúgio na embaixada brasileira por temer a possibilidade de perder a imunidade parlamentar e ser julgado pelas cinco mortes ocorridas durante manifestações contra seu governo na semana passada.
Outro personagem-chave da crise, o general reformado Lino Oviedo, um dos responsáveis pela queda de Cubas, recebeu asilo político do governo argentino. Ele chegou a Buenos Aires no domingo, com a mulher e três filhos, depois de o governo uruguaio ter se recusado a autorizar que seu avião pousasse em Punta del Este. Na capital paraguaia, Assunção, a Justiça decretou a prisão de Cubas e Oviedo, acusados de participação no assassinato de Luis Maria Arga¤a.
Extradição O ministro da Justiça da Argentina, Raúl Granillo Ocampo, disse ontem à Rádio del Plata que o asilo concedido ao general Lino Oviedo pode caducar se for pedida sua extradição ao Paraguai. ‘‘O asilo não é um obstáculo para a tramitação de uma extradição’’, acrescentou Granillo Ocampo.

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