Ministro confirma liberação de Pinochet
Associated Press
De Londres
O ministro do Interior britânico, Jack Straw, confirmou ontem, no Parlamento britânico, sua intenção de libertar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet ante a conclusão de peritos médicos de que ele está clinicamente incapacitado de suportar um processo de extradição para a Espanha. Ignorando as acusações dos parlamentares conservadores muitos dos quais apoiadores de Pinochet , ele reiterou que as partes envolvidas no caso têm sete dias para apresentar recursos. Após esse prazo, Straw tomará uma rápida decisão sobre o futuro do general.
Em Madri, numa aparente demonstração de resignação com a possível decisão britânica de repatriar Pinochet, o juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón disse ontem que o processo judicial que resultou nos 15 meses de detenção do ex-ditador em Londres já tinha sido um êxito. A libertação de Pinochet era uma das possibilidades que podíamos prever, disse o juiz, que emitiu a ordem internacional de prisão contra o ex-ditador. Mas ela não tira o êxito do procedimento judicial que abrimos, uma vez que a Justiça espanhola cumpriu seu dever pedindo a extradição, que só deve ser negada por razões humanitárias.
Garzón deu um prazo de 24 horas para que as partes envolvidas no processo contra Pinochet façam chegar a ele as observações sobre a prevista decisão britânica de libertar o general. O ministro de Relações Exteriores da Espanha, Abel Matutes, porém, indicou ontem que o governo espanhol não deve apresentar recurso para impedir o retorno de Pinochet ao Chile.
Em Paris, o juiz Roger le Loire, encarregado das investigações sobre o desaparecimento de cinco cidadãos franceses durante o regime militar chileno, exortou ontem o governo da França a agir o mais rápido possível para garantir que o ex-ditador do Chile Augusto Pinochet possa ser interrogado no país.
Em Genebra, o pedido de extradição contra o ex-ditador chileno, apresentado pela Suíça à Grã-Bretanha em outubro de 1998, continua válido, disse ontem o porta-voz da Polícia Federal suíça, Folco Galli. De todos os modos, acrescentou Galli, se Pinochet não será extraditado para a Espanha por motivo de saúde, é verossímil que não seja também para a Suíça. O promotor-geral de Genebra, Bertrand Bertossa, que pediu a extradição de Pinochet, considera que a Grã-Bretanha está preparando uma saída hipócrita para o caso.





