Ministro britânico dá sinal verde para extradição de Pinochet
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Deutsche Presse 
O ex-ditador chileno Augusto Pinochet vai enfrentar na Grã-Bretanha um processo de extradição pedida pela Espanha, decidiu ontem o ministro do Interior britânico, Jack Straw. Straw determinou que o pedido seja analisado pelo tribunal de Bow Street, de Londres. Pinochet deverá comparecer ante esse tribunal no dia 30 deste. A data foi marcada a pedido do advogado de Pinochet, Michael Caplan, que solicitou duas semanas para estudar a decisão.
A decisão de Straw foi saudada pela organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e pelos opositores de Pinochet, enquanto a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher qualificava-a de um ato político de vingança do ministro. Em carta dirigida a Straw, Thatcher diz que seria muito embaraçoso para o ministro que o general morresse sob custódia britânica, lembrando que achou o ex-ditador muito debilitado, ao visitá-lo há poucas semanas.
Uma declaração da Anistia afirma que a organização ficou muito satisfeita com o fato de Straw ter reconhecido que um só caso de tortura já se constitui em crime pelo qual o general Pinochet deve ser julgado.
Straw teve que voltar a dar seu parecer sobre o pedido de extradição depois que a Câmara dos Lordes determinou que Pinochet só poderá ser extraditado para ser julgado pelos delitos cometidos depois de 1988, ano em que a Grã-Bretanha assinou a convenção internacional contra a tortura. O número de acusações apresentadas pelo juiz espanhol Baltasar Garzón contra Pinochet foi reduzido de 32 para três, porém o magistrado conseguiu reunir elementos para ampliar a 46 o total de casos de tortura e terrorismo dos quais o ex-ditador é acusado.


