Mineiros presos há 20 dias dizem ter muita fome
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Folhapress 
São Paulo - Isolados a 700 metros de profundidade há 20 dias, os 33 trabalhadores da mina chilena de San José, em Atacama, preparam-se para um dos mais longos e trabalhosos resgates subterrâneos já registrados. Após receberem cartas da família, os mineradores cantaram o hino nacional do Chile e disseram estar com muita fome. Na noite de anteontem, os mineradores conseguiram se comunicar pela primeira vez com a superfície. ''Estamos todos sãos e com fome'', disseram ao ministro de Mineração, Laurence Golborne, a cargo da operação de salvamento.
De acordo com informações divulgadas pela senadora Isabel Allende, que teve acesso às fichas dos médicos que trabalham na operação de resgate, os 33 homens sobreviveram até este momento com ''duas colheres de atum e meio copo de leite a cada dois dias''.
A médica Paula Newman reafirmou que o estado de saúde dos mineiros é ''perfeito'' e que eles já receberam uma solução com glicose a 5% e medicamentos para o estômago, com o objetivo de evitar possíveis úlceras devido à falta de alimentação.
O tempo para se chegar ao grupo, estimado em entre três e quatro meses, ainda não foi comunicado aos mineiros, que receberão tarefas diárias e serão monitorados por médicos e psicólogos. ''Disse-lhes que todo o país está com eles, que vamos ajudá-los'', disse o ministro Golborne na noite de anteontem.
A equipe de resgate liderada pelo engenheiro André Sougarret, da mineradora estatal Codelco, se prepara agora para iniciar uma longa e complicada operação que pode durar até quatro meses.
Uma escavadeira gigantesca de quase 30 toneladas chegou ontem desmontada em peças até a jazida San José procedente da Divisão Andina de Codelco. A máquina perfurará a rocha a uma velocidade de 20 metros por dia para escavar um túnel vertical de 66 centímetros de diâmetro pelo qual os operários serão resgatados.


