Bogotá Um em cada três soldados mortos, e um cada dois feridos, foi vítima de minas terrestres este ano na Colômbia, segundo um relatório militar divulgado ontem pela imprensa e segundo o qual a guerrilha das Forças Armadas Revolucionáras da Colômbia (Farc) usa estes artefatos como sua arma mais letal contra a força pública.
Segundo o estudo, publicado pelo jornal ''El Tiempo'', de Bogotá, 38% dos 198 soldados que ficaram fora de combate (75) nos dois primeiros meses do ano foram alvo das minas. Dos 69 soldados mortos e 129 feridos em janeiro e fevereiro passados em diferentes operações, 22 morreram e 53 ficaram feridos por causa destes artefatos explosivos.
De acordo com estes números do Comando Geral das Forças Armadas, diariamente um militar cai em um campo minado. ''Trata-se de um aumento dramático dos campos minados, para atentar principalmente contra as forças militares'', alertou o vice-presidente Francisco Santos, a cujo escritório responde o Observatório de Minas Terrestres.
Santos comentou que as minas estão cada vez mais sofisticadas e afirmou que as Farc, principal guerrilha do país, fizeram uma campanha para minar indiscriminadamente o território nacional. O vice-presidente afirmou que as Farc usam as minas como principal arma contra a força pública e disse que o Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda força rebelde, também utiliza este tipo de explosivo.
Os campos minados, segundo o comando das forças militares, significaram o atraso no avanço das tropas, a reprogramação de incursões e gasto, em alguns casos, do dobro do tempo para se chegar a zonas de conflito. De acordo com o estudo, em 30 dos 32 departamentos do país existem campos minados, a maioria criada pela guerrilha, segundo o Observatório de Minas Terrestres.
Foram registrados acidentes com minas em 536 dos 1.098 municípios da Colômbia. Na última terça-feira, o exército destruiu 4.690 minas que mantinha armazenadas, como parte de um programa de eliminação de minas terrestres patrocinado pela Organização dos Estados Americanos (OEA). As forças militares destruíram no total 5.981 minas faltando ainda 17.400, que continuam armazenadas em cumprimento da Convenção de Ottawa, um acordo internacional que proíbe o desenvolvimento, produção, armazenamento, transferência e uso de minas terrestres.
Segundo cálculos oficiais, existem 100 mil minas espalhadas pela Colômbia, o que torna aquele país o mais afetado por este tipo de arma na América Latina.

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