France Presse
De Maputo
Depois das inundações e dos riscos de epidemias, as minas antipessoais são uma nova ameaça para a população de Moçambique, uma vez que as águas deslocaram as minas do lugar. Atualmente há entre 350 mil e 1 milhão de minas em Moçambique, segundo Robert Quirion, coordenador em Moçambique do programa de desativação de minas da ONG francesa Handicap Internacional.
As minas foram plantadas durante a guerra civil que durou 16 anos e terminou em 1992. Os soldados do governo e os rebeldes da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), plantaram as minas. Quirion diz que a água não tornou as minas inofensivas; ao contrário, a umidade pode ter desestabilizado o explosivo, que poderia detonar a qualquer momento. Ele disse que ‘‘não se pode esquecer o perigo que as minas representam e que agora elas podem estar em áreas consideradas seguras’’.
Em 1994 foi feito um programa de localização de minas e definição das zonas minadas, que estão principalmente nas áreas rurais. Cerca de duas mil pessoas trabalham hoje na busca e desativação de minas no país. A organização humanitária Handicap Internacional prepara uma campanha de educação para as pessoas que deixaram as casas, para esclarecer sobre os riscos de minas.
O ministro das Relações Exteriores Leonardo Simão disse que o governo também vai lançar um programa para desativar minas. O presidente do país, Joaquim Chissano, explicou que os artefatos foram feitos para resistir a água e são uma nova ameaça ao povo. Chissano disse que ‘‘um milhão de pessoas estão em perigo por causa de doenças como cólera e impaludismo’’.
De acordo com o balanço parcial da tragédia, divulgado por Chissano, até agora são 212 os mortos por causa das inundações. Mas um porta-voz do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), Ian McLeod, disse que o número final de mortos será bem maior. Ele disse que ‘‘sem dúvida ainda serão encontrados milhares de mortos’’.Água das enchentes deslocou minas antipessoais plantadas durante guerra civil, que agora ameaçam os flagelados na África
France PresseDESAMPAROSegundo dados do governo moçambicano, um milhão de pessoas estão em perigo por causa de doenças como cólera e impaludismo

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