Ao norte dos secos desertos do Oriente Médio, mangueiras negras de meio metro de espessura jorram água potável no Mar Mediterrâneo. As fontes brotam de uma estação de bombeamento piloto que a Turquia construiu como parte de seus esforços para vender água para os países para a região.
A Turquia tem enormes reservas de água e o governo diz que até o próximo ano, petroleiros reformados poderão levar essa água para países atingidos pela seca na região. Isso poderia reduzir as tensões num momento em que Israel, Síria, Jordânia e palestinos vêm duramente competindo pelas escassas fontes de água.
A venda de água também poderia impulsionar a posição da Turquia como potência regional e trazer para o país dezenas de milhões de dólares. ‘‘Se eles sabem que você tem água que pode ser distribuída, isso muda a política da região’’, disse Dogan Yemisen, vice-diretor da DSI, o departamento turco que trata da água.
Especialistas de Israel, Jordânia e Líbia visitaram a estação de extração em Manavgat, a 70 quilômetros da cidade balneária de Antalya. Israel negocia a compra de 13,1 bilhões de galões (49,6 bilhões de litros) de água da Turquia, cerca de 7% de sua necessidade de água potável e a quantidade máxima que pode ser entregue pelos petroleiros no porto israelense de Ashkelon. Os dois países dizem que um acordo de cinco anos deve ser alcançado em breve. A Turquia tem capacidade para exportar quatro vezes esta quantidade e poderia dobrar estes números no período de um ano.
Mas os clientes em potencial estão hesitantes, preocupados com a tecnologia ainda não testada e com o impacto de ter a Turquia como controladora de um recurso tão importante quanto a água potável. ‘‘Trata-se de uma resolução rápida, mas não para longo prazo’’, diz Amos Epstein, diretor da Mekorot, a agência israelense de água.
Epstein disse que Israel está preocupado com a possibilidade de problemas técnicos ou atrasos durante a extração, transporte ou descarregamento da água. Políticos em Israel também dizem que é muito importante que seu país não seja dependente de outra nação quando se trata de um recurso vital como água potável.
Na região dos países árabes, onde as pessoas recordam-se da dominação turco-otomana, a idéia de depender da Turquia é bastante complicada. A Turquia também tem sérias disputas no que diz respeito à água com seus vizinhos Iraque e Síria, que exigem que os turcos permitam que mais água flua pelos Rio Tigre e Eufrates, que passam pelos dois países.

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