Milosevic volta ao Tribunal de Haia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
France Presse<br>de Haia 
Slobodan Milosevic compareceu ontem ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para responder às acusações de genocídio por sua atuação durante a guerra da Bósnia. Em seus comparecimentos anteriores ao TPI, Milosevic se recusou a declarar-se culpado ou inocente das acusações em relação à sua atuação nos conflitos de Kosovo (1999) e da Croácia (1991-1995).
O ex-presidente iugoslavo, preso em Haia desde junho passado, não reconhece a competência do TPI para julgá-lo. Ele classificou de absurda a acusação de genocídio apresentada contra ele pelo Tribunal de Haia.
Interrogado pelo juiz britânico Richard May, Milosevic
se recusou a responder se é culpado ou inocente,
declarando que a acusação
é de um supremo absurdo.
A promotoria poderá convocar cerca de 600 testemunhas para o futuro julgamento de Slobodan Milosevic, entre as quais algumas que teriam contribuído no projeto criminal dirigido pelo ex-presidente iugoslavo e outras que teriam algo a dizer sobre cada um dos crimes que lhe são atribuídos.
O promotor adjunto do Tribunal, Geoffrey Nice, disse que convocará cerca de cem testemunhas para falar sobre ''a empresa criminal'' que Milosevic criou e dirigiu durante os conflitos de Croácia, Bósnia e Kosovo.
A segunda categoria de testemunhas será chamada a participar na constituição de cada ''cena do crime''. A acusação prevê convocar 143 pessoas para o conflito croata, 300 para a guerra da Bósnia, a mais longa e mortífera das guerras na ex-Iugoslávia, e 167 para o conflito em Kosovo. No total, cerca de 600 testemunhas.
Se os juízes aceitarem a aplicação durante o julgamento do artigo 92-Bis do regulamento do TPI que prevê que uma grande parte das testemunhas podem participar do expediente sem dar depoimentos à corte esse número se reduziria à metade, ressaltou Florence Hartmann, porta-voz da promotora geral do TPI, Carla del Ponte.


