Milosevic recebe hoje ultimato de Holbrooke
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domingo, 21 de março de 1999
Paulo Sotero Agência Estado 
France PresseFugaMulher deixa Srbica, centro de Kosovo, depois de ataque: medoO embaixador designado dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, Richard Holbrooke, apresenta hoje um ultimato ao presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic, num encontro em Belgrado: ou seu governo assina o acordo de paz provisório concluído em Paris na semana passada, aceita a autonomia de Kosovo sob a proteção de soldados da Aliança Atlântica e cessa os ataques contra a população de origem albanesa da província, ou suas forças na região serão bombardeadas.
O embaixador Holbrooke enfatizará ao presidente Milosevic que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) está preparando um ataque aéreo, disse ontem a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, ao anunciar a missão do enviado especial dos Estados Unidos.
Esta não é a primeira vez que Washington faz esse tipo de advertência ao líder sérvio. É a primeira vez, contudo, que a ameaça vem acompanhada de declarações do presidente Bill Clinton e de porta-vozes de seu governo preparando a opinião pública e o Congresso para uma ação militar.
Na sexta-feira, antes mesmo de as tropas sérvias iniciarem um ataque contra rebeldes separatistas na região central de Kosovo, provocando um novo êxodo da população rumo às montanhas próximas, Clinton disse que Milosevic já ultrapassara todos os limites.
Não se iludam, se nós e os nossos aliados não tivermos a vontade para agir, haverá mais massacres, disse o presidente norte-americano. Em se tratando de agressores nos Balcãs, a hesitação é uma licença para matar. Os críticos de Clinton sustentam que foram seus muitos momentos de hesitação que permitiram que Milosevic desafiasse a mais poderosa aliança militar da história e levasse à guerra civil pelo controle de Kosovo ao ponto de colocar a própria credibilidade da OTAN em jogo.
O Senado norte-americano debate hoje a situação. Não estava claro ontem se Clinton pedirá autorização formal do Congresso antes de ordenar o ataque ou se se limitará a comunicar sua decisão aos líderes da Câmara e do Senado.
O presidente da Câmara, Dennis Hastert, afirmou no fim de semana que é responsabilidade do presidente explicar ao povo americano exatamente qual é o interesse nacional em jogo em Kosovo, qual a nossa estratégia de longo prazo e o custo de uma ação militar.
Politicamente diminuído pelo escândalo sexual e pelo processo de impeachment que dominou seu governo durante mais de um ano, Clinton poderá ter dificuldade agora em obter o apoio da opinião pública para engajar os EUA numa operação militar de resultados incertos para salvar uma pequena província que a maioria dos americanos não sabe onde fica e de cuja existência, se tivesse escolha, preferiria não tomar conhecimento.
O risco político para Clinton é que uma ação punitiva contra a Sérvia não seja suficiente para convencer Milosevic a aceitar os termos e condições do acordo de Paris - como calculam os estrategistas da Casa Branca - e que o conflito se prolongue e tome rumo imprevisível, exigindo, por exemplo, a mobilização de forças terrestres resolver a situação e salvar a credibilidade dos EUA e da OTAN.


