BELGRADO - O governo do presidente sérvio Slobodan Milosevic começou a ceder ontem frente à oposição, reconhecendo duas de suas vitórias eleitorais, enquanto nas ruas de Belgrado 120.000 manifestantes mantinham a pressão. A justiça sérvia - considerada por seus detratores como muito ligada ao poder - anulou consecutivamente as vitórias que o Partido Socialista (SPS) do presidente Milosevic se atribuiu em Nis (sul), segunda cidade da Sérvia, e em Smederevska Palanka (70 km a sudeste de Belgrado).
Na Capital, cerca de 100.000 pessoas (20.000 estudantes) se manifestaram contra o presidente Milosevic na expectativa de que outras cidades dominadas pelo SPS sejam entregues à oposição. Fortalecida com seus primeiros êxitos, a oposição, reunida na coalizão ‘‘Juntos’’, exigiu que todas suas vitórias sejam reconhecidas antes de iniciar um diálogo com as autoridades. ‘‘Juntos’’ assegura que as municipais de 17 de novembro lhe deram a maioria em 15 das 18 principais cidades sérvias e em Belgrado.
‘‘Não haverá diálogo, não haverá nada enquanto os resultados de 17 de novembro não forem reconhecidos em todas as cidades, em todas as comunidades’’ da Sérvia, disse um dos principais chefes da oposição, Vuk Draskovic. Ele afirmou que a oposição, que boicota o parlamento iugoslavo, não participará nem da assembléia sérvia prevista para hoje. ‘‘Nos recusamos a entrar no Parlamento da Sérvia como no da Iugoslávia, enquanto nossa vitória eleitoral não for reconhecida.’’
A oposição obrigou o poder a recuar graças à pressão constante que exerce há quase um mês, mas também ao apoio que recebeu dos Estados Unidos e dos principais países ocidentais. ‘‘Juntos’’, no entanto, não conseguiu aparentemente estender seu protesto à classe operária. Um porta-voz do sindicato independente Nezavisnot disse ontem que uma greve geral na Sérvia era impossível. Por causa da crise econômica, numerosas fábricas já não trabalham há vários anos.

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