Associated Press
Após crescentes pedidos para sua renúncia, o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic convidou partidos seletos ontem para aderir à reconstrução do país em uma aparente tentativa de explorar divisões nas fileiras oposicionistas e excluir aqueles que pedem sua renúncia.
O primeiro-ministro iugoslavo, Momir Bulatovic, convidou todos os partidos políticos representados no parlamento nacional para uma reunião, hoje em Belgrado, para discutir como cooperar na reconstrução do país após a devastação causada pelos 78 dias de ataques aéreos promovidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O convite foi feito um dia depois que cerca de 10 mil pessoas marcharam no centro da cidade de Cacak, pedindo a saída de Milosevic. A marcha, organizada pela Aliança para Mudança, foi o primeiro protesto do tipo desde o fim dos bombardeios.
Os partidos da aliança, no entanto, não estão representados no parlamento e não foram convidados para a reunião. Partidos importantes da lista de convidados incluem o ultranacionalista Partido Radical Sérvio, o moderado Movimento de Renovação Sérvia e reformistas da pequena República de Montenegro, parceira da Sérvia na Iugoslávia. Os reformistas montenegrinos - o Partido Democrático dos Socialistas - rejeitaram imediatamente a oferta.
Enquanto isso, a principal funcionária das Nações Unidas para direitos humanos visitava Kosovo enquanto os corpos de mais vítimas de massacres eram descobertos nas proximidades da cidade de Prizren, no sudoeste da província sérvia. A funcionária, Mary Robinson, disse estar mais chocada com os abusos dos direitos humanos agora ‘‘do que eu estava antes’’ de ir ao local.
Em Pristina, Robinson, uma ex-presidente irlandesa, alertou que o ódio étnico continua alto apesar da presença de soldados de paz. ‘‘Este é o pior o momento; o momento mais volátil’’, declarou Robinson após visitar o local de uma chacina em Matigan. Ela também visitou um campo em Kosovo Polje, onde cerca de 4 mil ciganos foram abrigados para que possam se proteger de saqueadores albaneses étnicos que os acusam de colaborar com os sérvios.
Robinson descreveu a situação dos ciganos como ‘‘pavorosa’’ e pediu maior ajuda internacional para Kosovo a fim de evitar uma ‘‘nova forma de limpeza étnica’’.
Em Kosovo, emergiam novas evidências dos horrores da ofensiva sérvia na província de maioria albanesa étnica, encerrada com a chegada de tropas de manutenção de paz em 12 de junho.
O porta-voz do contingente alemão, tenente-coronel Dietmar Jeserich, disse que soldados encontraram ontem os corpos de 78 vítimas de massacres em um vilarejo localizado ao noroeste de Prizren. Investigadores do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia descobriram um grande número de provas de que os sérvios tentaram destruir as evidências de massacres e outras violações de direitos humanos.
Na capital iugoslava, a agência de notícias independente Fonet informou nesta quarta-feira que quatro civis sérvios morreram e outros 19 desapareceram ontem. Citando um padre ortodoxo sérvio da província de Kosovo, a agência divulgou que os sérvios foram supostamente massacrados por albano-kosovares nas proximidades de Orahovac, a cerca de 60 quilômetros de Pristina, na mais recente onda de ataques revanchistas.

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