Milosevic é entregue ao Tribunal de Haia
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quinta-feira, 28 de junho de 2001
Dusan Stojanovic Associated Press De Belgrado 
Num abrupto fim de sua batalha para fugir da Justiça internacional, Slobodan Milosevic foi entregue ontem ao tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU) para prestar contas de seu papel nas atrocidades cometidas em Kosovo que deixaram milhares de albaneses étnicos mortos ou desaparecidos e provocaram o êxodo de centenas de milhares de outros.
O ex-presidente iugoslavo foi entregue ao tribunal de Haia, anunciou o porta-voz do governo da Sérvia, Nemanja Kolesar. Em Haia, o porta-voz do tribunal, Jim Landale, confirmou que Milosevic estava a caminho.
Não se sabia imediatamente onde exatamente estava Milosevic. Mas em Washington, um oficial da defesa dos Estados Unidos disse que o plano era levá-lo a Haia num avião britânico que decolaria de uma base aérea norte-americana na Bósnia.
A confirmação da entrega do ex-presidente foi feita horas depois que Milosevic parecia ter ganho mais tempo para lutar contra sua extradição, quando juízes suspenderam um decreto-lei do governo federal que autorizava seu envio para Haia.
Um advogado de Milosevic, Branimir Gugl, acusou as autoridades sérvias de terem sequestrado seu cliente. O processo de extradição sem a presença de advogados equivale a um sequestro, disse.
A decisão de extraditar o ex-presidente foi tomada pelo governo da Sérvia. Autoridades sérvias já haviam adiantado que entregariam Milosevic ao tribunal mesmo se a Corte Constitucional federal aceitasse o pedido dos advogados de Milosevic para que o decreto fosse suspenso. Considerando uma apelação de seus advogados, a Corte Constitucional tinha horas antes congelado o processo de extradição de Milosevic, julgando que precisava de mais tempo para avaliar um decreto-lei governamental que autorizava a sua entrega.
Milosevic foi indiciado por atrocidades cometidas em Kosovo durante uma repressão que ele ordenou dois anos atrás contra a população albanesa étnica da província. A repressão terminou depois de uma campanha de 78 dias de bombardeios da Otan.


