Milosevic despreza pressão internacional e convoca 2º turno
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terça-feira, 26 de setembro de 2000
Agência Estado De Belgrado 
Desafiando as potências internacionais e ignorando apelos internos para que deixe o poder, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, convocou ontem o segundo turno das eleições presidenciais contra o candidato oposicionista Vojislav Kostunica, que rechaçou categoricamente a decisão, insistindo que havia ganho já na votação de domingo. Estamos falando de fraude política e flagrante roubo de votos, afirmou Kostunica num comunicado à imprensa. Essa é uma oferta que temos de rejeitar.
Em seu primeiro boletim desde a votação, a Comissão Eleitoral Estatal anunciou na noite de ontem que Kostunica terminou em primeiro com 48,22% dos votos, contra 40,23% dados a Milosevic. Portanto, o candidato opositor não obteve a maioria constitucional (absoluta) necessária para se eleger em primeiro turno. Pela lei, um segundo turno tem de ser realizado em 8 de outubro caso nenhum dos cinco candidatos receba 50% mais um dos votos. A televisão estatal divulgou que o comparecimento às urnas foi de 64%, bem abaixo dos 74% anunciados pela oposição.
Não existe nenhuma razão, nem moral nem política, para que aceitemos tal pisoteamento da vontade eleitoral dos cidadãos, disse Kostunica. A oposição convocou uma manifestação para a noite de hoje, no centro de Belgrado.
Falando em Washington logo depois do anúncio da convocação do segundo turno, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, disse que estava claro que a oposição derrotou Milosevic. Apesar das tentativas do governo de manipular a votação, parece claro que o povo votou por mudanças, afirmou Clinton num discurso na Georgetown University. Se a vontade do povo for respeitada, as portas para a Europa e para o mundo estarão novamente abertas para a Sérvia, disse Clinton.
Anteriormente, o líder oposicionista Zoran Djindjic exigiu uma reunião de emergência da Comissão Eleitoral Estatal a fim de analisar os resultados oficiais e exigiu ver o material eleitoral. Estamos lidando com uma grande fraude e a falsificação de resultados, afirmou Djindjic, acusando o governo de ter removido 400 mil votos de Kostunica e transferido metade deles para Milosevic. Outro líder oposicionista, Vladan Batic, pediu a seus partidários para manterem a calma.
Líderes oposicionistas temiam que o atraso sem precedentes na divulgação dos resultados visava dar tempo ao governo para manipular os resultados e entregar a vitória a Milosevic ou pelo menos colocá-lo no segundo turno. Tradicionalmente, a comissão divulga resultados parciais logo depois da votação.
O anúncio do segundo turno foi feito apesar de crescente pressão ocidental para que Milosevic aceitasse a vitória da oposição. Os Estados Unidos haviam prometido na semana passada liderar uma campanha internacional para pressionar o presidente iugoslavo a respeitar os resultados.
Antes do anúncio, a Oposição Democrática da Sérvia divulgou seus próprios números baseados na contagem de 97,5% dos votos. Kostunica lideraria com 55% dos votos, contra 35% de Milosevic. Os números seriam baseados em relatórios de fiscais partidários que monitoram as mesas de contagem.


