Milosevic desafia a polícia sérvia
O ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic se recusou a se entregar vivo ontem à polícia sérvia que tentou detê-lo e se aquartelou em sua residência no bairro de Dedinje, cercado pela polícia de choque.
Após uma noite de confusão total em torno da sorte do ex-presidente, uma autoridade sérvia anunciou que tentaram detê-lo, mas que elementos do exército obstruíram a operação. Posteriormente, em um comunicado, o exército desmentiu a declaração.
Além disso, o Governo da Sérvia ordenou ontem aos homens que protegem Milosevic em sua casa de Belgrado que deponham as armas, em um comunicado lido à imprensa pelo primeiro-ministro Zoran Djindjic.
Entretanto, em outra contradição, o ministro sérvio do Interior, Dusan Mihakhlovic, disse em entrevista à imprensa que o ex-presidente estava sob detenção domiciliar até ser apresentado ante as autoridades judiciais por abuso de poder e infração do código penal.
Acrescentou que Milosevic não está sendo detido com vistas a uma extradição por crimes de guerra e precisou que as acusações, pronunciadas ontem pelas autoridades sérvias, são somente fatos de abuso de poder e infração do código penal.
A ordem de depor as armas foi dada depois da frustrada tentativa da polícia sérvia, na noite de sexta-feira, de deter o ex-presidente iugoslavo na residência que ocupa no bairro residencial de Dedinje.
Mihakhlovic afirmou que o exército não quis deixar a polícia entrar na residência de Milosevic durante a operação realizada ontem à noite.
O exército cumpriu as ordens de pessoas não autorizadas a serviço de Milosevic, que, equipadas com armas automáticas, estavam dentro da residência do ex-presidente, disse o ministro.
A casa ocupada atualmente por Milosevic é a residência oficial do chefe de Estado iugoslavo, e o novo presidente Vokhislav Kostunica, autorizou Milosevic a continuar ocupando-a, apesar de sua saída do poder desde outubro do ano passado.
Ontem de manhã, a polícia iugoslava de choque afastou todos os civis, manifestantes e jornalistas para mais de 500 metros da entrada da residência do ex-presidente, informou um correspondente da AFP. Um número indeterminado de agentes da polícia especial permanece em frente à residência, no bairro Dedinje, de Belgrado.
O ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic é acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia de crimes contra a humanidade e de crimes de guerra, cometidos durante o conflito de Kosovo, em 1999. As acusações contra Milosevic foram anunciadas no dia 27 de maio de 1999 pela anterior promotora do TPI, a canadense Louise Arbour.
Reunião O presidente iugoslavo, Vojislav Kostunica, marcou uma reunião para ontem à tarde com dirigentes sérvios e iugoslavos para analisar a crise gerada depois da tentativa fracassada de prender o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, anunciou a agência Tanjug.
O general Nebojsa Pavkovic, chefe do Estado-maior do Exército iugoslavo, deveria participar da reunião.
Alguns elementos dessa força foram acusados pelo governo sérvio de ter levado ao fracasso a tentativa de prisão do ex-presidente na sexta-feira à noite.
Na manhã ontem, o primeiro-ministro sérvio, Zoran Djindjic, declarou que o fracasso da prisão de Milosevic é um incidente que, em minha opinião, perturba as relações entre os governos sérvio e iugoslavo.
Segundo Tanjug, o vice-primeiro-ministro iugoslavo, Miroslav Labus, também participará da reunião, assim como os ministros sérvio e iugoslavo do Interior, Dusan Mihajlovic e Zoran Zivkovic, respectivamente.





