Milosevic ameaça usar força contra a oposição
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
André Birukoff, 
BELGRADO - O presidente Slobodan Milosevic ameaça empregar métodos enérgicos contra a oposição, que há duas semanas faz manifestações diárias em protesto ao seu regime autoritário. Mas os opositores não parecem estar assustados com isto. O Partido Democrata (DS), de uma das principais figuras da oposição, Zoran Djindjic, afirmou, ontem, que as manifestações prosseguirão.
Continuaremos com nossas manifestações pacificamente e sem violência, como nos dias anteriores, disse, por sua parte, o outro grande líder da oposição, Vuk Draskovic, chefe do Movimento Sérvio de Renovação (SPO).
Ontem, milhares de estudantes reuniram-se de novo para realizar uma caminhada de protesto contra o presidente Milosevic.
Rompendo seu silêncio, o poder decidiu segunda-feira dar fim às manifestações que há 14 dias reúnem diariamente milhares de pessoas em Belgrado. O ministério indicou que, de agora em diante, as concentrações deverão ser autorizadas e que não tolerará nenhum outro ato de violência, deixando entrever que as manifestações poderão ser proibidas.
O elemento que consolidou o descontentamento contra Milosevic foi a anulação dos resultados das eleições municipais que deram a vitória à oposição reunida na coalizão Zajedno (Unidos), nas principais cidades da Sérvia. A oposição denuncia fraude eleitoral em várias localidades.
Apenas na quarta-feira passada é que os manifestantes protagonizaram atos de violência, quebrando os vidros do edifício do jornal Politika, controlado pelo governo, como também na televisão estatal, a qual os opositores agora chamam de A Bastilha.
O presidente Milosevic, alvo de críticas como nunca foi desde 1992, achou que era o momento de tomar a iniciativa, principalmente porque a União Européia e os Estados Unidos começam a pedir contas.


