O presidente de Montenegro Milo Djukanovic predisse um ‘‘fim lamentável’’ para o regime do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, numa declaração publicada nesta quinta-feira pela agência montenegrina Montena-fax, em Podgorica.
Djukanovic acusa o exército iugoslavo de ‘‘unir seu futuro ao regime’’ de Belgrado, ‘‘cujo fim lamentável já é previsível’’.
‘‘Superiores do exército iugoslavo esforçam-se de maneira cada vez mais evidente para pôr este mesmo exército a serviço do centro político do poder, cuja sede está fora de Montenegro e cujos interesses são fundamentalmente opostos aos de Montenegro’’, disse Djukanovic.
Também lamenta que ‘‘oficiais superiores destacados em Montenegro ponham o exército contra as instituições civis da república’’ e adverte que em Montenegro ‘‘o exército não tem direito de atuar contra os interesses das autoridades legítimas’’.
Enquanto durarem os ataques aéreos da Otan, Montenegro, não ‘‘exporá a questão do comportamento do exército para não envenenar’’ a situação entre Montenegro e Iugoslávia.
Mas uma vez que a paz seja restabelecida, todos os que violaram a lei e sejam culpados por ‘‘atos violentos, criminais e inconstitucionais’’, deverão responder por isso ‘‘sejam civis ou militares’’.
Djukanovic acusa em especial o exército ‘‘de apoderar-se da ajuda humanitária, incluindo hospitais inteiros’’, destinados a Montenegro.
Oposta à política do presidente Milosevic, a direção montenegrina nega-se a aderir ao estado de guerra proclamado por Belgrado no primeiro dia dos ataques aéreos da Otan, em 24 de março, e que confere amplos poderes ao exército.

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