Militares zairenses aderem à guerrilha, dizem rebeldes
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segunda-feira, 09 de dezembro de 1996
Reuter 
BENI, Zaire - Mais de 300 militares desertaram do Exército zairense e aderiram aos rebeldes da Aliança de Forças Democráticas para Libertação do Congo-Zaire, revelou ontem um dos líderes rebeldes, o comandante Andre Kissasse Ngandu. Entre os que passaram para o nosso lado entregando armas estão um coronel e três capitães, ressaltou ele reafirmando o objetivo do movimento: conquistar Kinshasa (capital do Zaire) e depor o regime do presidente Mobutu Sese Seko. Mais duas importantes localidades estão sob nosso controle: Komanda e Manbasa (no norte do Zaire).
O controle dessa região permite livre acesso a Bunia e Kisangani (a maior e mais importante cidade da região norte). Nossa ofensiva vai prosseguir até a vitória final, afirmou Ngandu em entrevista ao jornal queniano Sunday Standard. Ele garantiu ter condições de tomar a capital do Zaire pelas armas, um plano considerado impossível pelas forças leais a Mobutu e pelos próprios oficiais desertores. Eles dizem que não poderemos chegar a Kinshasa, declarou.Vamos alcançá-la em breve, acrescentou.
O líder guerrilheiro criticou também os planos do Canadá, apoiados pelas Nações Unidas, para o deslocamento de uma força de paz ao Zaire para dar assistência aos refugiados. A ONU calcula que existam ainda nas selvas da região (controladas pelos rebeldes zairenses e tutsis) entre 150 mil e 500 mil refugiados hutus. Esses refugiados, segundo a ONU, seriam reféns dos guerrilheiros. Como a ONU consegue diferenciar os povos por satélite?, perguntou Ngandu, garantindo que muitas das pessoas detectadas são, na realidade, zairenses e antigos soldados hutus que temem regressar por seu envolvimento no massacre de tutsis - minoria étnica que detém o poder em Ruanda.


