Militares vão escolher
substituto de Suharto
Dow Jones
Os observadores da situação na Indonésia afirmam que o presidente Suharto terá de deixar o poder. Quem vai substituir Suharto é uma questão difícil de ser respondida, segundo acadêmicos e ex-diplomatas na Austrália, país que tem a Indonésia como seu mais próximo vizinho do Sudeste Asiático. Os candidatos devem vir dos militares e da atual administração, mas ninguém conseguirá assumir o poder sem a ajuda e o apoio dos militares, dizem os observadores.
‘‘Além das Forças Armadas, nenhuma organização política ou instituição neste momento seria capaz de substituir o presidente ou mesmo administrar o governo’’, disse Richard Woolcott, ex-embaixador australiano na Indonésia e atual chairman do Instituto Australiano-Indonésio.
Entre os analistas, não se espera um golpe. Uma das teorias mais correntes prevê Suharto tomando o mesmo caminho que ele forçou seu predecessor, Sukarno, a tomar em 1966. Depois de um fracassado golpe pró-comunista, Suharto, junto com dois generais, exigiu que Sukarno entregasse o poder aos militares. Ele conservou o título de presidente, mas perdeu o poder e Suharto assumiu o posto gradualmente.
‘‘Creio que a maioria dos militares quer que Suharto renuncie, mas muitos deles não favorecem um golpe’’, disse Harold Crouch, doutor na Escola de Estudos sobre o Pacífico e a Ásia da Universidade Nacional Australiana. Como muitos militares têm um senso pessoal de lealdade para com Suharto, o risco de uma ação armada provocar um racha entre unidades militares deve desencorajar um golpe, disse Crouch. O temor de uma divisão dentro das Forças Armadas pode favorecer a escolha de um respeitado militar da reserva, como o ex-vice-presidente Try Sutrisno, para substituir Suharto, acrescentou Crouch.
Entre os militares da ativa, um forte candidato seria o atual comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Wiranto, seguido de longe pelo general Provowo Subianto, genro de Suharto. No entanto, este não é o momento para Probowo tentar o poder, opina Jamie Mackie, professor da Universidade Nacional da Austrália. ‘‘Acho que ele vai se posicionar para o futuro’’, afirmou. ‘‘Wiranto é visto como muito mais moderado e politicamente sensível, portanto, se os militares realmente decidirem se movimentar, acredito que Wiranto será o nome escolhido para assumir o governo’’, acrescentou Mackie.
É também possível que, se Suharto renunciar, a presidência seja assumida pelo vice, B.J. Habibie, o que pode provocar reações negativas no mercado financeiro, onde ele é impopular por suas políticas protecionistas. Outro candidato civil seria o ministro das Finanças e da Indústria, Ginandjar Kartasasmita, mas ele precisaria primeiro conquistar o apoio dos militares.

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