O presidente Ricardo Lagos disse ontem que confia que os desaparecidos durante a ditadura de Augusto Pinochet serão encontrados, após o compromisso assumido pelos militares de entregar ao governo antecedentes que facilitem essa busca.
Lagos disse acreditar que assim ‘‘se poderá estabelecer a data precisa da morte (dos desaparecidos), e o poder judiciário poderá fazer o que lhe corresponde’’.
‘‘Será possível, então, enterrar os nossos (mortos)’’, afirmou Lagos em discurso, no qual lançou um enérgico apelo ‘‘à concórdia e ao reencontro’’ dos chilenos.
Dos cerca de 1.200 presos desaparecidos durante a ditadura militar, apenas uns 200 foram depois encontrados em fossas ilegais, e muitos, segundo depoimentos de militares, foram lançados ao mar por helicópteros.
Alguns negociadores do acordo anteciparam que os militares, amparados em um virtual ‘‘segredo profissional’’, recolherão antecedentes entre os membros ativos e reformados de suas fileiras, e os remeterão a Lagos, que os remeterá aos tribunais.
As Forças Armadas terão agora um prazo preliminar de seis meses para reunir os dados.
O compromisso dos militares com Lagos e o país só foi
acertado às três da madrugada entre representantes das Forças Armadas, ativistas de direitos humanos, religiosos de vários credos e profissionais.
Os familiares dos desaparecidos protestaram em frente ao palácio contra o acordo por discordar do mecanismo secreto de busca de dados nele previsto o que, em sua opinião, contribuirá para a impunidade.

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