Bogotá O arcebispo Jorge Jiménez, presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano), e o sacerdote Desiderio Orjuela foram resgatados ontem ''sãos e salvos'' pelos militares colombianos após combates, informou o Exército da Colômbia.
''Os dois religiosos foram resgatados em uma operação na localidade de Topaipí, próxima a Zipaquirá (40 km ao norte de Bogotá)'', indicou um porta-voz do comando da 5 Divisão do Exército colombiano.
Na operação de resgate foi abatido um suposto rebelde das Farc (Forças Aramadas Revolucionárias da Colômbia) e preso outro.
A guerrilha colombiana Farc sequestrou Jiménez na segunda-feira, quando ele ia em seu carro para uma missa na zona rural de Pacho (88 quilômetros ao norte de Bogotá), de acordo com informações da polícia. Jiménez, que também é arcebispo da cidade de Zipaquirá, viajava junto com Desiderio Orjuela, sacerdote da cidade de Pacho, um professor e o chofer da caminhonete.
O carro em que viajavam foi abordado por um controle da Frente 42 (ligada às Farc) na estrada.
Vários membros da igreja colombiana já foram assassinados nas ações da guerrilha. Em março, o arcebispo de Cali, Isaías Duarte Cancino, foi morto por homens que receberam dinheiro de narcotraficantes e das Farc.
Segundo informações da polícia, nos últimos 14 anos, 65 religiosos foram assassinados: 26 sacerdotes católicos e 39 pastores evangélicos.
A lista atual de sequestrados pelas Farc inclui a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, um governador, dois ex-ministros, 12 deputados regionais, cinco ex-congressistas e 50 membros das Forças Armadas.
Impacto O sequestro do arcebispo Jorge Jiménez provocou impacto mundial, inclusive devido à posição do prelado que é o presidente da principal organização católica latino-americana, o Celam. Por dois dias consecutivos, o papa João Paulo II enviou apelos, tanto aos sequestradores quanto ao Governo da Colômbia, no sentido de libertar tanto o presidente do Celam como o sacerdote que foi sequestrado com ele. Na audiência que concede todas as quartas-feiras, o Papa reiterou o apelo, insistindo em que ações terroristas representam o mais nefasto modo de agir, em qualquer circunstância. Também insistiu junto ao Governo da Colômbia para que tentasse a libertação do prelado, através de negociações.
O atual Governo, presidido pelo sr. Álvaro Uribe, reiterou desde o primeiro momento que não pretende negociar com os guerrilheiros. As Farc, principal organização terrorista da Colômbia, fazem do sequestro um modo de pressionar o Governo, inclusive para conseguir trocas entre as vítimas e seus efetivos presos. Uribe tem se negado a aceitar este tipo de ação, preferindo endurecer na luta contra os guerrilheiros. Teve sucesso agora, mas ainda há muitos políticos colombianos em mãos dos terroristas.

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