Militares reprimem protestos contra golpe em Mianmar
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terça-feira, 09 de fevereiro de 2021
Folhapress 
São Paulo - Um dia depois de fazer ameaças contra os manifestantes, a polícia de Mianmar usou canhões de água e balas de borracha para dispersar os atos de oposição ao golpe de Estado nesta terça-feira (9). Testemunhas também relataram o uso de munição letal, mas a informação ainda não foi oficialmente confirmada.

Ao menos quatro pessoas ficaram feridas. Uma delas, de acordo com um médico ouvido por jornalistas sob condição de anonimato, é uma mulher que teria levado um tiro na cabeça e estaria em estado grave.
Vídeos publicados nas redes sociais, cuja autenticidade ainda não foi comprovada, mostram um grupo de pessoas abrigadas sob o que parece ser um ponto de ônibus. A alguns metros, agentes da tropa de choque em formação. É possível ver jatos dos canhões de água usados contra os manifestantes e, em dado momento, ouvem-se disparos.
Uma mulher que, segundo as publicações, tem cerca de 20 anos, parece ser atingida e cai repentinamente. Nas imagens, ela aparece usando um capacete de motociclista. Em outras postagens, há fotos do capacete perfurado por um projétil.
"Ela está na unidade de emergência, mas é 100% certo que a lesão é fatal", disse o médico de um hospital em Naypyitaw, capital de Mianmar. Segundo ele, exames de imagem mostraram uma bala alojada na cabeça da paciente.
Ainda de acordo com relatos de médicos da capital, os outros feridos não corriam risco de morrer e ainda não se sabia se os ferimentos foram causados por balas de borracha ou munições reais.
Mianmar tem um histórico violento de repressão a protestos. Na revolta de 1988, mais de 3.000 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança do país durante atos contra o regime militar. A junta que agora comanda o país depois de prender toda a cúpula do governo civil -incluindo a conselheira de Estado Aung San Suu Kyi e o presidente Win Myint - proibiu ajuntamentos de mais de cinco pessoas em várias regiões.
Desde o golpe militar em 1º de fevereiro, os mianmarenses vinham se organizando em campanhas de desobediência civil, marcadas por atos menores e por greves de profissionais de saúde, professores e funcionários do governo pré-golpe.
Durante o último final de semana, porém, o movimento de resistência ganhou força e levou dezenas de milhares de pessoas às ruas das principais cidades do país para exigir a volta da democracia e a libertação dos presos políticos.
Na segunda-feira (8), ele disse que a junta militar formaria uma "democracia verdadeira e disciplinada", diferente das eras anteriores que trouxeram anos de isolamento e pobreza -Mianmar viveu sob uma ditadura militar de 1962 a 2011.
"Teremos uma eleição multipartidária e entregaremos o poder a quem vencer", disse Hlaing, repetindo a promessa feita no dia do golpe, segundo a qual haverá uma transição pacífica de poder assim que forem realizadas "eleições justas e livres".
Ao assumirem o poder, os militares declararam um estado de emergência que deve durar um ano. O próprio Hlaing, entretanto, afirmou na semana passada que pode continuar no poder após esse período para coordenar a realização de um novo pleito.


