Militares paraguaios vão às ruas
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
France Presse 
Assunção - Tropas militares foram às ruas do Paraguai ontem para reforçar a segurança pública e tentar conter a indignação popular e a desconfiança em relação à polícia, depois da emoção provocada pelo assassinato de um menino de dez anos, que havia sido previamente sequestrado.
Os soldados se posicionaram em diferentes pontos da capital e das principais cidades do país, para auxiliar o trabalho da polícia. O clamor por uma força conjunta foi exteriorizado em diversas manifestações espontâneas entre quinta e sexta-feira. ''Não podemos tolerar mais um único sequestro no Paraguai. Somos seis milhões de habitantes, e não podemos nos deixar dominar por três mil delinquentes'', exclamou o tio do menino morto.
A fúria cidadã provocou uma tormenta política que o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, tratou de conter. O presidente ordenou, a partir da Alemanha onde está em visita oficial a destituição do ministro do Interior, Orlando Fiorotto, e a do chefe da polícia, o delegado Umberto Nunez. Fiorotto foi substituído pelo promotor Nelson Mora, ex-embaixador na Colômbia.
Alguns deputados tentaram na quinta-feira, sem sucesso, iniciar um processo de destituição contra o promotor-geral do Estado, Oscar Latorre, duramente criticado por sua gestão. Latorre já avisou que não renunciará.
O menino Aníbal Amin Riquelme Seif Eddine foi sequestrado na tarde de segunda-feira passada, quando ia para um campo de esportes perto do colégio católico Cristo Rey, onde estudava. Os investigadores não descartam a pista de um acerto de contas de mafiosos com o pai da vítima, um rico empresário, que exporta cigarros ao Brasil e que possui 17 indústrias instaladas na zona fronteiriça.
O menino, que segundo sua família sofria de asma, morreu de edema pulmonar, provavelmente causado pelo excesso de clorofórmio utilizado para adormecê-lo. Segundo fontes policiais, o dinheiro do resgate US$ 700 mil já estava pronto e a família estava apenas esperando uma ''prova de vida'' para dar início ao intercâmbio. O pai do menino, Pedro Aníbal Riquelme, já havia pago US$ 50 mil para o resgate da filha, sequestrada há dois anos. Neste último caso esteve envolvido o uruguaio Alejandro Alberico Coppola, cujo corpo foi encontrado há sete meses queimado.


