São Paulo - Após violenta repressão a protestos opositores que deixou pelo menos três mortos, forças de segurança do Bahrein tomaram ontem ''locais-chaves'' da capital, Manama, em tentativa de interromper a intensificação das ações.
Desde a última segunda, quando a onda de protestos antirregime em países árabes e do Oriente Médio chegou à pequena ilha do Golfo Pérsico, já são cinco os mortos.
A praça da Pérola, tornada símbolo dos protestos a exemplo da egípcia Tahrir, amanheceu tomada por soldados e tanques que ainda na madrugada promoveram operação-surpresa para dispersar os 2 mil manifestantes já acampados no local. Segundo relatos, as forças de segurança atacaram indiscriminadamente homens, mulheres e crianças que se dispunham a ficar.
Além das três mortes, a repressão mais violenta em décadas no país deixou 60 pessoas desaparecidas, dezenas de detidos e 231 feridos. Na praça, restaram tendas abandonadas, cartazes rasgados pelo chão, resquícios de munição real usada, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Os protestos são liderados pela maioria xiita -de 60% a 70%- dos cerca de 700 mil bareinitas, que diz sofrer discriminação por parte da monarquia. A família real privilegiaria os su© nitas no funcionalismo público e até nas Forças Armadas.
Os opositores acusam ainda o governo de conceder cidadania a sunitas de outros países para equilibrar os grupos religiosos muçulmanos.
Os xiitas exigem a saída do premiê, há 40 anos no cargo, o estabelecimento de monarquia constitucional e a instituição de um governo eleito.
Dificuldades econômicas e a falta de liberdades também atraem aos protestos manifestantes da minoria sunita.
O governo dos EUA expressou preocupação com a violenta repressão aos confrontos que se espalham pelas ruas do Bahrein. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ligou ontem para o ministro de Relações Exteriores do Bahrein para registrar a ''profunda preocupação'' com os últimos acontecimentos no país.
Segundo o Departamento de Estado americano, Hillary falou ainda ao ministro barenita Sheij Jaled bin Ahmad al Jalifa sobre a importância dos ''esforços com vistas para reformas políticas e econômicas, para dar uma resposta aos cidadãos do país''.

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