Militares matam presidente da Guiné-Bissau
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segunda-feira, 02 de março de 2009
Folhapress 
São Paulo - Militares mataram o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, na madrugada de ontem -horas após o assassinato de seu principal rival, o chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié. O Exército nega que esteja em curso um golpe de Estado, rechaçado por governos e organizações internacionais, mas há indícios de divisões entre os militares.
O palácio presidencial foi alvejado com foguetes e metralhadoras por mais de duas horas após a explosão que matou Waié, às 20h locais, e destruiu parcialmente o quartel-general da Guiné-Bissau -militares leais ao general atribuem ao presidente morto a responsabilidade pelo atentado contra seu líder. Tanto Waié quanto Vieira foram alvo de tentativas de assassinato nos últimos meses.
Um grupo de oficiais ordenou o fechamento das duas estações privadas de rádio da capital, anunciando que perseguiria os responsáveis pelo ataque e faria justiça, segundo testemunhas. O presidente foi morto a tiros. Sua casa, próxima ao palácio, foi saqueada.
O assassinato de Vieira acirrou temores de agravamento da crise na ex-colônia portuguesa, uma das principais rotas de distribuição de cocaína latino-americana para a Europa.
A União Africana rejeitou qualquer tentativa inconstitucional de mudança de governo na Guiné-Bissau. A ONU, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa
(CPLP), a União Europeia, e diversos países, entre eles os do Brasil, de Portugal e dos EUA, também defenderam uma solução institucional para a crise. Uma missão da CPLP chega amanhã ao país.
Os militares atribuíram a morte do chefe-de-Estado a um grupo isolado de soldados não identificados e, em pronunciamento por rádio, afirmaram que vão respeitar as instituições democráticas. A legislação guineense prevê que o presidente da Assembleia, Raimundo Pereira, assuma a Presidência.
Desde a independência, em 1974, a Guiné-Bissau sofreu sucessivos golpes de Estado. Veterano da guerra da contra o domínio português, Vieira, 69, esteve à frente da Presidência três vezes, por quase três décadas, desde o golpe militar de 1980. Em 1994, tornou-se o primeiro presidente eleito.


