São Paulo - Forças de segurança e grupos armados ligados ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, entraram em confronto ontem com centenas de pessoas que protestavam em Caracas contra a escassez de comida. Este foi o maior protesto contra o desabastecimento na capital sem participação direta da oposição a Maduro. Além dos manifestantes, as forças ligadas ao chavismo agrediram 14 jornalistas que acompanhavam o ato.
A manifestação começou às 11 horas (12 horas em Brasília) em frente a um supermercado na região central da cidade. Na loja, um grupo formava filas desde a madrugada em busca de alimentos básicos, como arroz e farinha de milho. Segundo moradores, a Polícia Nacional havia avisado na quarta que chegaria uma carga de mantimentos ao local. O carregamento, porém, não foi comercializado, o que levou à indignação dos que esperavam por horas.
"Estão nos matando de fome. Nossos filhos a esta hora ainda não comeram. Quero que alguém do governo apareça e nos diga por que não tem comida", disse o padeiro Wilfredo Martínez, de 40 anos, à agência de notícias Associated Press.
Os manifestantes fecharam a Avenida Fuerzas Armadas, a 3 km do Palácio de Miraflores, sede do governo. A maioria gritava "Queremos comida", frase frequente nos atos contra o desabastecimento, e "Este governo tem que cair". Minutos depois, membros da Guarda Nacional Bolivariana começaram a atirar gás lacrimogêneo e agredir fisicamente alguns dos manifestantes. Pelo menos seis manifestantes foram presos pelas forças de segurança.
Além das tropas, apareceram também membros de "coletivos", grupos armados ligados ao chavismo. Os paramilitares agrediram e gritaram contra os manifestantes, dizendo que eles não tinham o direito de ocupar as ruas.

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