Os militares advertiram o presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, a não declarar estado de emergência para evitar seu julgamento político, fixado para 1º de agosto. No final da cúpula de dois dias do G-15 (grupo de 15 nações em desenvolvimento), realizada em Jacarta, Wahid negou-se a responder perguntas sobre o seu futuro político. ‘‘Não queremos que as perguntas fiquem centradas nos assuntos nacionais’’, disse o mandatário durante uma entrevista coletiva.
O ministro das Relações Exteriores indonésio, Alwi Shihab, disse, por sua vez, que Wahid não pensa em decretar estado de emergência e tentará negociar o fim da crise política antes do início do processo de impeachment. ‘‘Temos dois meses pela frente’’, afirmou Shihab a jornalistas. ‘‘Um acordo pode ser conseguido em apenas uma hora.’’
O alerta para que não declare estado de emergência foi feito a Wahid pelo ministro de Assuntos Políticos, Sociais e de Segurança, Susilo Bambang Yodhoyono, um general da reserva de quatro estrelas. ‘‘O senhor não deve recorrer ao decreto (de emergência) nesta situação’’, disse o ministro a Wahid, segundo a agência de notícias Antara.
‘‘O decreto aumentaria os problemas da Indonésia’’, afirmou ontem o porta-voz das forças armadas, marechal Graito Usodo. ‘‘Sim advertimos o presidente e lhe pedimos para que não declare estado de emergência.’’
Wahid, um muçulmano moderado de 60 anos, é conhecido por suas decisões impulsivas, tomadas aos poucos, contra a opinião dos que o cercam. Entretanto, isto já lhe causou várias polêmicas e suscitou fortes críticas desde sua chegada ao poder.
Quarta-feira, o parlamento indonésio aprovou por maioria absoluta uma proposta para que Wahid seja submetido a julgamento político por acusações de corrupção e incompetência. Segundo o presidente da Assembléia Consultiva do Povo, Amien Rais, o processo será iniciado na Assembléia, em 1º de agosto.
Quando a assembléia se reunir em uma sessão especial para discutir o impeachment, Wahid terá a oportunidade de se defender diante de seus 700 membros. Caso seja afastado do cargo, o mandatário poderá ser substituído pela vice-presidente Megawati Sukarnoputri, filha do fundador da Indonésia, Sukarno.

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