Militares acatam decisão de Fujimori
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quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Roberto Lameirinhas Agência Estado De Lima 
Ao fim de uma noite em que rumores de um golpe de Estado foram intensos, o Comando Conjunto das Forças Armadas peruanas finalmente rompeu o silêncio que vinha mantendo desde o começo da crise política no país, emitindo uma nota oficial na qual assegurou que acatava a decisão do presidente Alberto Fujimori de convocar eleições gerais, desmentiu versões de que os comandantes militares tivessem se reunido nos últimos dias e exortou a população a manter a calma. Horas antes, a tensão se elevara com a notícia de que o chefe do Exército, general José Villanueva Ruesta, estava fechado num gabinete do quartel-general da Arma, o Pentagonito, com os comandantes das seis regiões militares do país e com o ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN) Vladimiro Montesinos pivô da turbulência institucional, desde que foi flagrado por uma câmera de vídeo supostamente subornando o deputado da oposição Alberto Kouri para que passasse à bancada do governo.
Também na noite de anteontem, Fujimori mantinha uma reunião que duraria dez horas com seus principais ministros e assessores.
Ontem, nenhum participante desse encontro deu indicações sobre o que foi discutido. Por seu lado, em declarações para a TV peruana, o general Abraham Cano, comandante da 3ª Região Militar, de Arequipa, desmentiu categoricamente que tivesse se encontrado com outros comandantes em Lima.
Não vou a Lima desde meados de julho e ontem (anteontem) à noite estava aqui mesmo, em Arequipa, disse Cano. Indagado sobre se procediam as informações de que a situação nos quartéis era tensa, o general respondeu: Essas versões só servem a quem quer aparecer. A situação nesta região militar é calma e de plena institucionalidade.
As Forças Armadas e a Polícia Nacional do Peru, em cumprimento às normas legais internas e subordinadas ao poder constitucional, expressam seu acatamento à decisão do senhor presidente da república, chefe supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional, manifestada em sua mensagem à nação de 16 de setembro, dizia a nota oficial.
Não se produziu nenhuma reunião nos últimos dias dos comandantes das regiões militares com o senhor comandante-geral do Exército, tal como se vem especulando, prosseguia a nota. (As Forças Armadas) reiteram seu firme compromisso de colaborar permanentemente com o governo para alcançar os objetivos traçados com o governo, no marco da Constituição Política do Peru, e exortam a cidadania a manter a calma e uma atitude responsável em momentos transcendentes para o país. O documento foi firmado por Villanueva Ruesta e pelos comandantes da Marinha, Aeronáutica e da Polícia Nacional.
O grande foco da tensão entre o Executivo e os militares é Montesinos, disse à Agência Estado o jornalista e ativista pela defesa da ordem democrática, Lúcio García. Não haverá saída para a crise enquanto o destino desse senhor não estiver definido. Segundo a oposição, Montesinos mantém o controle de quase todas as regiões militares do país.
O presidente, por seu lado, diz considerar desnecessária a formalização da destituição de Montesinos porque a extinção do organismo de inteligência já o deixa sem função no governo.
Fujimori recebeu ontem no palácio do governo os dois enviados da Organização dos Estados Americanos (OEA) - o chefe de gabinete da entidade, Fernando Jaramillo, e o embaixador do Canadá no organismo, Peter Boehm -, que chegaram na quarta-feira à noite a Lima para colaborar com as negociações entre o governo e a oposição para solucionar a crise. Uma reunião entre representantes do governo, da oposição e da sociedade civil está marcada para hoje, na sede da OEA no país. Fujimori conversou também, por telefone, com o presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso.


