Militar protesta contra Corte chilena
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Associated Press De Santiago 
O ex-comandante-chefe da Marinha chilena e atual senador designado Jorge Martínez advertiu ontem que haverá reações não amistosas à sentença da Corte de Apelações que suspendeu ontem a imunidade parlamentar do general Augusto Pinochet.
Martínez, que foi estreito colaborador do general, considerou o que está ocorrendo como um fato insólito, monstruoso e terrível na história do Chile. Um fato que destrói o conceito de Repúblilca e de respeito à Constituição.
Identificado com os setores mais radicais das Forças Armadas, Martínez formulou a mais dura reação à sentença que deixou Pinochet em condições de ser julgado se for referendada pela Suprema Corte.
Estou falando em nome de muitos milhares de chilenos, vivos em sua maioria. Falo em nome de gente que se sente injustiçada, disse Martínez, referindo-se aos militares reformados. E acrescentou que quando num país se comete esse tipo de injustiças, não resta a menor dúvida de que as reações não vão ser muito amistosas.
Martínez criticou os que defendiam a concórdia nacional e agora revolvem feridas, advertindo que este assunto não vai acabar bem. - O ex-general Rafael Villarroel, presidente do Movimento Chile Minha Pátria, disse que o processo contra Pinochet está viciado porque não está de acordo com a Constituição política.
O presidente da União Democrata Independente, deputado Pablo Longueira, disse que a defesa do general deveria pensar antes de apelar contra a sentença desfavorável da Corte de Apelações, porque os tribunais chilenos estão decidindo sobre um fato falso: o de considerar o desaparecimento de opositores como um delito permanente.
Na opinião do deputado, é evidente que a figura do sequestro carece de todo fundamento.
Porém, os advogados do general confirmaram que apelarão da decisão da Corte alegando que Pinochet é inocente das acusações de sequestro e que seu deteriorado estado de saúde não lhe permite instruir sua defesa nesta fase do processo o que o deixa à margem de um devido processo, revelou ontem Rivaldo Rivadeneira, um dos juristas da equipe que defende o senador vitalício.
A equipe jurídica de Pinochet, que inclui dois ex-ministros de Relações Exteriores que o defenderam em Londres, terá de entregar sua defesa até depois de amanhã.
Enquanto isso, a família de Pinochet informou ao jornal El Mercurio que o ex-ditador está imerso em profunda depressão.


