Associated Press
De Jacarta
Depois de ter assolado Timor Leste, as milícias pró-Indonésia abandonavam ontem o território enquanto se esperava em Dili, a capital timorense, a chegada das primeiras tropas da força multinacional de paz. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade na madrugada de ontem o documento final da resolução que prevê o envio de uma força multinacional para restaurar a paz em Timor Leste e garantir que o território obtenha sua independência.
As milícias, que destruíram a cidade e obrigaram seus habitantes a fugir para as montanhas e para a província indonésia de Timor Oeste, parecem agora unir-se à onda de exilados que abandonam o território.
‘‘Comprovamos há vários dias um fluxo de milicianos seguido por caminhões carregados de mercadorias saqueadas em direção ao oeste’’, disse Colin Stewart, um dos 12 membros da Missão da ONU para Timor Leste (Unamet) que permanecem em Dili.
Apesar das recentes ameaças dos milicianos de que enfrentarão a força de paz, sua fuga intensificou-se anteontem após a aprovação da missão destinada a restabelecer a segurança em Timor Leste. Vários grupos armados e apoiados por militares indonésios iniciaram uma campanha de terror em Timor Leste após o anúncio, no dia 4, do resultado do plebiscito do dia 30 amplamente favorável à independência do território.
A força multinacional, liderada pela Austrália, contará com cerca de 8 mil homens. O governo australiano anunciou que um primeiro contingente desses soldados deverá chegar a Timor Leste antes do fim de semana. A Austrália, cuja costa setentrional é muito próxima de Timor, concentrou há várias semanas suas tropas perto do porto de Darwin para que estivessem preparadas para desembarcar rapidamente no território.
Duzentos e cinquenta gurkas, guerreiros nepaleses sob o comando do Exército britânico, partiram ontem de sua base em Belize e seguiram para a Austrália, onde se unirão às tropas australianas em Darwin.
A Indonésia rejeitou a retirada de suas forças de Timor Leste apesar das acusações de que participaram da campanha de violência. O chanceler indonésio, Ali Alatas, disse à imprensa que a força multinacional assumirá o controle da operação e as tropas indonésias desempenharão um papel na assessoria e coordenação.
Alguns países do Sudeste Asiático já responderam positivamente aos pedidos de participação na missão, assegurando à força de paz o componente regional necessário para acabar com as objeções de Jacarta à liderança australiana da operação.
Os primeiros lançamentos de pára-quedas com comida para milhares de timorenses famintos que se refugiaram nas montanhas deveriam ocorrer entre ontem e hoje. Um avião de carga Hércules C130 australiano realizará vários vôos sobre as áreas mais afetadas, especialmente sobre as colinas próximas à capital de Timor, com o objetivo de lançar 300 mil refeições diariamente. No entanto, há o risco de que a comida e os remédios caiam nas mãos das milícias.
Algumas freiras carmelitas de Timor Leste também advertiram ontem da possibilidade de o Exército indonésio bombardear os timorenses tão logo abandonem seu refúgio em busca da ajuda humanitária, informou a agência de notícias do Vaticano Fides. Segundo a agência, várias fontes da resistência timorense também advertiram que o Exército indonésio está preparando um bombardeio.
Várias denúncias de massacres foram feitas nos últimos dias por separatistas. Anteontem, um ex-membro da milícia pró-Jacarta revelou que mais de 2 mil timorenses foram lançados ao mar e devorados por tubarões. Francisco Domingues, desertor de uma das milícias, disse que acompanhou marinheiros indonésios em uma balsa e presenciou como foram lançados ao mar 120 timorenses perto da localidade de Batugade.
Segundo Domingues, as forças indonésias utilizavam nessas operações seis balsas, que partiam das localidades de Butagabe, Baucau e Manatuto. O ex-miliciano contou que ficou ‘‘horrorizado’’ depois de participar da operação e, com a desculpa de visitar um irmão, abandonou a milícia.Austrália, que lidera força de paz aprovada pela ONU, diz que primeiro contingente chega ao Timor Leste antes do fim da semana
France PresseForça de pazNavio de transportes da Marinha australiana faz exercícios em Darwin. A Austrália participará com o maior número de soldados (destaque). Junto com a Malásia enviará sete mil tropas

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