Associated Press
De Dili, Timor Leste
Armados com fuzis militares, machetes e armas de fabricação caseira, centenas de milicianos pró-Indonésia entraram em choque ontem com separatistas diante da sede da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet), dois dias após a realização do plebiscito sobre o futuro da ex-colônia portuguesa.
Segundo testemunhas, pelo menos cinco pessoas foram mortas diante do prédio, sitiado por várias horas pelos milicianos. As testemunhas acrescentaram que a polícia indonésia em um primeiro momento deixou que os milicianos atuassem livremente para somente após algumas horas de violência e anarquia tomar o controle da situação. Na sede da Unamet, retomada pelos policiais, havia mais de 500 pessoas, entre elas cerca de 300 timorenses.
A Indonésia anunciou ontem que enviou 360 policiais de reforço aos 15 mil homens já presentes em Timor Leste. No entanto, o incidente demonstrou a conivência ou mesmo a incapacidade da polícia indonésia, acusada de apoiar os milicianos, para manter a segurança do território, responsabilidade assumida no acordo de 5 de maio firmado entre Portugal e Indonésia.
Essa limitação é o principal argumento das organizações de direitos humanos e políticos americanos para pedir o envio de uma força de pacificação a Timor Leste. Mas o governo indonésio reiterou ontem, apesar da escalada da violência em sua província, que não há a necessidade do envio da força de paz.
Vários jornalistas foram agredidos por milicianos, entre eles o repórter da BBC Jonathan Head, e presenciaram ontem a morte de pelo menos uma pessoa – um jovem de 19 anos que foi morto a golpes de machete e praticamente mutilado, identificado por uma enfermeira como Jorge Francisco Bonaparte.
Os incidentes ocorreram enquanto a Unamet começava a contar os votos do plebiscito de segunda-feira sobre o futuro status de Timor Leste. Após mais de 40 anos de colonização portuguesa e 24 anos de opressivo regime indonésio, os timorenses puderam escolher entre uma ampla autonomia para o território ou sua independência. Funcionários da ONU, com base no comparecimento em massa dos timorenses às urnas, estão confiantes de que o plebiscito resultará favorável à independência.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, condenou a violência em Timor e exortou as autoridades indonésias a adotar ‘‘uma ação firme’’ para controlar os paramilitares.
Em Portugal, o primeiro-ministro Antonio Guterres solicitou uma intervenção do Conselho de Segurança da ONU para obrigar a Indonésia a manter seu compromisso pela segurança em Timor. Guterres disse que Lisboa entrou em contato com os cinco membros permanentes do conselho (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China) para que levem em consideração o envio de ‘‘boinas azuis’’ para Timor.

mockup