Numa iniciativa sem precedentes, seis milicianos antiindependência carregando armas automáticas se renderam em Timor Leste, informaram ontem funcionários da ONU.
Os milicianos se entregaram para tropas da ONU no domingo em duas diferentes vilas no centro de Timor Leste, disse o porta-voz das forças de paz, coronel Brynjar Nymo.
É a primeira vez que milicanos pró-Indonésia se rendem depois de terem retornado de Timor Oeste fortemente armados.
A iniciativa é um bom sinal para os administradores da ONU em Timor Leste que mantêm esperanças de que os cerca de 150 milicianos armados, que se infiltraram recentemente em Timor Leste, se entreguem e voltem pacificamente para seus lugares sem causar problemas.
Vários dos infiltradores foram mortos e feridos em combates com soldados de paz. Dois militares da ONU também foram mortos em confrontos recentes.
Nymo disse que outros grupos de milicianos também estão negociando sua rendição com as Nações Unidas.
Centenas de milicianos pró-Indonésia fugiram de Timor Leste há cerca de um ano depois que soldados internacionais de paz chegaram ao território para conter uma explosão de violência das milícias que deixou centenas de mortos.
Muitas das gangues milicianas têm se escondido desde então entre dezenas de milhares de refugiados leste-timorenses vivendo em condições precárias em acampamentos em Timor Oeste, controlado pela Indonésia.
Na semana passada, um grupo de milicianos atacou um escritório da ONU na cidade fronteiriça oeste-timorense de Atambua, matando três funcionários humanitários da ONU e três indonésios, além de ferirem dezenas de pessoas, entre elas a brasileira Margarida Rodrigues de Vasconcellos.
O massacre levou as Nações Unidas e outras organizações humanitárias a tirarem todo seu pessoal de Timor Oeste.
Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, os cerca de 120 mil leste-timorenses vivendo em acampamentos em Timor Oeste estão agora ficando sem comida e remédios.

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