Milicianos incendeiam
sede da ONU em Dili
Asssociated Press
de Dili
Milicianos pró-Indonésia incendiaram a sede da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet) em Dili, capital timorense, poucas horas depois que o pessoal da organização e cerca de 1,5 mil refugiados foram levados para Darwin, Austrália.
Durante mais de uma semana os milicianos dispararam contra o prédio da Unamet, destruíram automóveis e ameaçaram jogar granadas contra o complexo, onde estavam refugiados milhares de timorenses.
Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU, em reunião de emergência, analisava ontem um projeto de resolução, apresentado pela Grã-Bretanha, autorizando o envio de uma força de paz internacional para Timor Leste. Alguns diplomatas disseram que seria possível que os 15 membros do CS chegassem a um consenso ainda ontem, possibilitando o envio da força de intervenção até o fim da semana.
Segundo o projeto, o contingente multinacional permaneceria por um período inicial de quatro meses em Timor Leste e teria o direito de usar a força para ‘‘restaurar a paz e a segurança’’ na região. A resolução também exorta o governo indonésio ‘‘a cooperar’’ com a força internacional e ‘‘autoriza os países participantes da força a tomar as medidas necessárias para cumprir seu mandato’’.
Mas as milícias pró-Jacarta anunciaram ontem mesmo que lutarão contra as tropas que forem enviadas a Timor. Câncio Carvalho, subcomandante de uma coalizão de milícias, disse à agência indonésia Antara que seus efetivos manterão forte resistência. A onda de violência perpetrada pelos milicianos com o apoio das forças de segurança indonésias começou no dia 4 em Timor Leste, após o anúncio do resultado do plebiscito do dia 30, amplamente favorável à independência da ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975.
O presidente indonésio, B. J. Habibie, disse ontem em Jacarta, durante encontro com embaixadores da União Européia, que não põe nenhuma condição para a formação da força multinacional. Essa declaração parece superar o obstáculo criado na segunda-feira pelas Forças Armadas indonésias sobre a possível liderança australiana da intervenção.
Por causa da violência, centenas de milhares de timorenses foram obrigados a abandonar suas casas nos últimos dias. Uma parte refugiou-se nas montanhas próximas de Dili e muitos foram trasladados para a província indonésia de Timor Oeste, à força e sob a mira de fuzis, pelos próprios militares indonésios. Uma agência humanitária do governo australiano começará a jogar amanhã de pára-quedas alimentos e remédios sobre várias regiões de Timor Leste para amenizar a situação de milhares de refugiados.
Os cerca de 1,5 mil timorenses que se haviam refugiado na missão da ONU em Dili chegaram onte, à Austrália, exaustos. Agarrados a seus poucos pertences, choravam ou riam de alegria ao desembarcar em Darwin, por escapar do verdadeiro inferno em que se transformou a capital timorense. Uma refugiada entrou em trabalho de parto e foi levada imediatamente ao hospital. E médicos australianos constataram que muitas crianças estavam com varíola ou tuberculose.

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