Associated Press
De Kandahar
Cerca de 20 soldados do Taleban - movimento que controla a maior parte do Afeganistão - começaram a rodear ontem com dois caminhões armados de lança-granadas e projéteis antiaéreos o Airbus da Indian Airlines sequestrado há uma semana e parado no aeroporto de Kandahar, no sul do país. Eles estão vestidos com roupas militares em vez das túnicas normalmente usadas pelos guardas locais.
As autoridades afegãs negaram que tenham planos de invadir o avião para libertar os 154 ou 155 passageiros e tripulantes mantidos como reféns, mas sua ação elevou a tensão no local, principalmente porque os negociadores indianos não chegaram ontem a um acordo com os extremistas. O número de reféns é dúbio pelo fato de as autoridades ainda não saberem se os terroristas são cinco ou seis.
Os afegãos também advertiram os captores de que invadirão o Airbus se eles maltratarem os reféns. Os sequestradores exigem a libertação de 35 militantes caxemires presos na Índia e do líder religioso Maulana Masud Azhar. Do contrário, ameaçam explodir o avião.
‘‘Hoje (ontem) foi um dia atarefado para ambas as partes, um dia promissor. As conversações estão indo bem, mas não posso dar detalhes’’, disse o chanceler taleban, Abdul Wakil Muttawakil. ‘‘Nossa principal dificuldade é o que ocorrerá na hipótese de a Índia libertar os prisioneiros. Para onde eles e os sequestradores irão?’.
Em Nova Délhi, o governo negou que os captores tenham fixado novo prazo-limite para uma resposta às suas exigências. Um dos membros da equipe de negociadores indianos enviada a Kandahar desmentiu com firmeza que as duas partes estejam discutindo quantos prisioneiros serão soltos.
Ontem, os extremistas permitiram que o passageiro indiano Samon Barara, de 30 anos, doente de câncer no estômago, fosse levado de ambulância a um hospital da cidade para receber tratamento emergencial. Depois de medicado, ele foi obrigado a voltar para o avião, conforme o trato que havia sido feito com seus captores.

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