Najaf Os milicianos xiitas leais a Moqtada al-Sadr entregaram ontem as chaves do sagrado mausoléu de Ali aos assessores da principal autoridade xiita, o aiatolá Ali al-Sistani. Depois de vários dias sitiados pelas forças americanas, eles se mostravam esgotados, mas confiantes de que são invencíveis na defesa de sua causa. ''Nunca sofremos um bombardeio tão violento, mais de cem obuses caíram do lado do cemitério e da Praça Midane, mas os americanos não conseguiram avançar'', contou Abu Mustafa, um combatente de 23 anos, referindo-se às bombas jogadas durante a madrugada.
O chão da Praça Midane está todo esburacado, um triste cenário de guerra, mas os combatentes estão serenos. ''Eles nos atacam com seus aviões, mas não se atrevem a se aproximar com seus tanques e seus homens. São uns covardes e nós somos crentes. Somos mais fortes que eles'', afirmou Ali, de 17 anos.
''Moqtada al-Sadr deu ordem de continuar com a Jihad (guerra santa) e não vamos nos inclinar às exigências do Pentágono'', afirma o porta-voz do chefe radical xiita, Ahmed al-Chaibani. O médico do mausoléu de Ali informa que os bombardeios não causaram vítimas.
''Hoje recebemos cinco feridos, entre eles um único combatente, e nenhum durante a noite'', afirma o médico, que prefere não se identificar, mas que está operando sem parar há duas semanas. Segundo o ministério da Saúde iraquiano, no entanto, pelo menos 77 pessoas morreram em Najaf nas últimas 24 horas.
À espera do assalto final adiado inúmeras vezes, os combatentes contavam com o apoio de ''escudos humanos'' que chegam às centenas, de diferentes províncias, para defender o santuário. Desarmados, eles simplesmente ficam sentados sobre esteiras, sem nada para fazer.
Alguns alimentos foram entregues nos hotéis de peregrinos para alimentar esta população que se dispõe a apoiar, sem pegar em armas, a batalha de al-Sadr. A uns 200 metros do santuário, o tenente Travis Cole, da Primeira Divisão de Cavalaria, observa o movimento em seu posto instalado em um colégio.
''A situação é estável há dois dias. Há muitos franco-atiradores, mas seus disparos não são muito precisos'', explica.
''A tarefa de nossa seção é identificar as praças fortes dos rebeldes e restaurar a estabilidade'', conclui.
O Exército de Mehdi enfrenta desde o dia 5 de agosto as tropas americanas e as forças de segurança iraquianas. O ministério da Saúde anunciou que 77 pessoas entre insurgentes, civis e policiais foram mortas em Najaf desde quinta-feira.
Os bombardeios aconteceram algumas horas depois de o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, ter lançado um ''último apelo'' aos rebeldes para que entregassem suas armas e abandonassem o mausoléu. Mesmo se o Exército de Mehdi deixar o mausoléu, a queda de braço de Al-Sadr e as autoridades iraquianas deverá continuar, já que o líder radical xiita se recusa a desarmar sua milícia, como exige o governo interino.
''Não dissolveremos o Exército de Mehdi, pois não temos esse direito. Este exército pertence ao imã Mehdi'', o décimo-segundo imã xiita desaparecido, explicou Chaibani, acrescentando que Al-Sadr pediu ''a seus combatentes que prossigam a luta''.
Em Bagdá, a situação permanecia tensa no bairro xiita de Sadr City, onde Moqtada al-Sadr tem muitos partidários. Tanques americanos bloqueavam os acessos do sul deste subúrbio e confrontos violentos foram registrados. Desde quinta-feira, pelo menos 10 pessoas morreram e 79 ficaram feridas em Bagdá, principalmente em Sadr City, segundo um levantamento estabelecido pelo ministério da Saúde que inclui civis, rebeles e policiais.
No norte do Iraque, um oleoduto que liga a cidade de Kirkuk à refinaria de Baiji foi danificado por uma explosão, afetando a distribuição local de petróleo, segundo bombeiros da Companhia Petroleira do Norte. Este ato de sabotagem ocorre depois de um representante de Al-Sadr no sul do Iraque ter ameaçado incendiar poços de petróleo em caso de ofensiva contra Najaf.
Perto de Samarra, dois soldados americanos morreram e outros três ficaram feridos quando a patrulha de que participavam caiu em uma emboscada da guerrilha.

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