Milhões de nascimentos sem registro
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
France Press 
Todo ano 40 milhões de nascimentos (um de cada três) ficam sem inscrição legal no mundo, por falta de estado civil ou por dificuldades para o registro em diversos países, afirma a Unicef em seu informe 1998 sobre o Progresso das Nações.
Sem existência legal, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Criança (Unicef), em muitos países uma criança não pode ser vacinada, atendida em um centro de saúde ou escolarizada. Tampouco, com o tempo, pode obter um passaporte, provar sua nacionalidade, votar ou se casar.
E o que é mais dramático ainda, os adolescentes sem papéis são vítimas muito mais vulneráveis para os traficantes do que os outros.
Estima-se em 140 milhões por ano o número médio de nascimentos no mundo. As dificuldades para o registro são reais no caso dos partos ocorridos fora dos hospitais, em zonas rurais afastadas.
Este é o caso de mais da metade de partos na África e Ásia do sul e este índice é mais elevado ainda nas populações móveis ou deslocadas (ciganos, minorias étnicas, refugiados...).
Em casos extremos, como por exemplo na Ásia, os pais que praticam o infantícidio com seus recém-nascidos de sexo feminino (China, Coréia, Índia) têm boas razões para não declarar esses nascimentos não desejados.
Os obstáculos podem ser também políticos: na África do Sul, só 13% da população negra estavam registrados em 1993 como resultado de um regime de apartheid que desejava reduzi-la.
No caso da China, o dogma oficial do filho único leva os pais a não declararem o segundo e terceiro varões, e por isso nove milhões de crianças fora de cota estariam hoje na condição de clandestinos.
A Unicef pede aos governos tomarem consciência deste fato amplamente subestimado. A cada ano 23,5 milhões de nascimentos são esquecidos na Ásia (do Leste, Sul e Pacífico), 1,2 milhão na Ásia Central, 9,6 na África Subsahariana, 1,9 no Maghreb e no Oriente Médio, 1,1 milhão no continente americano e 200.000 na Europa. Em Serra Leoa, a taxa de declaração de nascimentos é inferior a 10% e no Zimbabue é de apenas um terço. Na Bolívia, só a metade da população possui uma certidão de nascimento.


