São Paulo - Centenas de milhares de taiwaneses se concentraram na capital, Taipei, na manhã de ontem, para marchar contra a China. Os manifestantes carregavam faixas onde era possível ler ''Shame on China'' (''Que vergonha, China'') e ''Love and Peace in Taiwan'' (''Paz e amor no Taiwan'').
A manifestação é contra a lei, aprovada há cerca de duas semanas pelo Parlamento chinês, que autoriza a China a usar sua força militar contra Taiwan caso este prossiga com seu movimento de independência. Os manifestantes se reuniram em dez pontos diferentes da cidade um para cada artigo da lei. O ponto de encontro das marchas foi em frente à sede da presidência do país.
''A China é um país violento. Não temos nada a ver com isso. Temos que insistir na nossa liberdade para determinar nosso destino'', disse Wu Chao-hsiung, que é carpinteiro em Taipei.
A garçonete Vivian Wang, fantasiada de Estátua da Liberdade, um símbolo dos EUA, afirmou que ''Taiwan é apenas uma pequena ilha, então nós temos que falar bem alto para que o mundo possa ouvir que nós somos uma democracia encarando um gigante malvado''. Ela viajou, de ônibus, cerca de 300 km da cidade de Kaohsiung para participar do protesto.
Atrás da Estátua da Liberdade, seguiam pessoas conduzindo bandeiras dos EUA e do Japão. Estes dois países são vistos pelos protestantes como os principais aliados em um possível conflito militar com a China.
Nas marchas, também se viu grandes painéis com fotos de líderes mundiais, tais como o presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi. Era um apelo dos manifestantes aos declarados defensores da democracia.
O presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, e seus parentes se juntaram a uma das marchas no meio do caminho, depois de chegar de carro em determinado ponto da rota. A polícia teve que afastar a imprensa para que ele pudesse seguir na marcha.
Chen vem sistematicamente criticando as recentes medidas adotadas pela liderança comunista da China e tem resistido ao aumento da pressão para a unificação. O ex-presidente Lee Teng-hui, 82, que se tornou um símbolo do movimento de independência do Taiwan, também marchou.

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