Milhares protestam após atentado na Turquia
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domingo, 11 de outubro de 2015
France Presse 
Ancara - Milhares de pessoas se manifestaram neste domingo em Ancara contra o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, depois que 97 pessoas morreram no sábado no pior atentado da história da Turquia.
Ninguém reivindicou o massacre, ocorrido durante uma manifestação pacifista em Ancara, e todos seguem se perguntando como e quem cometeu o atentado.
O primeiro-ministro, Ahmed Davutoglu, declarou no sábado que há fortes indícios de que a dupla explosão em frente à principal estação de trens de Ancara foi provocada por dois suicidas.
Perto do local das explosões, milhares de pessoas se manifestaram ontem convocadas pelos mesmos sindicatos, ONGs e partidos pró-curdos que organizaram a concentração de sábado.
Os manifestantes foram homenagear as vítimas e denunciar a responsabilidade do poder e do presidente Recep Tayyip Erdogan no ataque, a gritos de "governo renuncie" e "Erdogan assassino".
Os participantes da manifestação na capital acusaram o presidente e seu governo de manter vínculos com os jihadistas do grupo Estado Islâmico e de ter tomado a decisão de não garantir devidamente a segurança da manifestação de sábado.
"Nossos corações sangram (...) mas não atuaremos com espírito de vingança ou de ódio", disse Selahattin Demirtas, líder da principal formação pró-curda do país, o HDP, um dos grupos que convocaram a marcha.
Davutoglu ordenou três dias de luto nacional e em todo o país as bandeiras ondeavam a meio mastro. Neste domingo seriam realizados os primeiros enterros. O presidente islamita-conservador Erdogan condenou o ataque e cancelou uma visita prevista ao Turcomenistão, mas desde o atentado ainda não falou em público.
Reagindo ao ocorrido, o papa Francisco expressou neste domingo sua "grande dor" pelo atentado. "Dor pelos muitos mortos. Dor pelos feridos. Dor porque os terroristas atentaram contra pessoas desarmadas que se manifestavam pela paz", disse o Papa, depois de rezar o Ângelus na Praça de São Pedro.
O atentado em Ancara aumenta a tensão no país, a três semanas das eleições legislativas antecipadas de 1º de novembro. Nelas, o presidente Erdogan espera recuperar a iniciativa política depois de ter perdido nas eleições de junho a maioria absoluta que possuía no Parlamento há 13 anos.


