Milhares participam de funeral de Hakim
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domingo, 31 de agosto de 2003
Das agências 
São Paulo Milhares de iraquianos participaram ontem do funeral do aiatolá Mohammed Baqer al-Hakim, no norte de Bagdá. Al-Hakim é um dos maiores líderes do clérigo xiita muçulmano, morto em um atentado a bomba ocorrido na última sexta-feira em Najaf (150 km de Bagdá).
Vestidos de preto, homens e mulheres lotaram as ruas em volta da mesquita Mousa al-Kadhim, onde o corpo de Hakim passou a noite. A multidão cantou e saudou o caixão, que estava envolvido por um largo pano preto. Em seguida, o corpo foi retirado do local e colocado em um caminhão, cuja segurança era feita por homens armados com rifles automáticos.
Pelo ritual funerário, o corpo de Hakim será levado a vários locais reverenciados por muçulmanos xiitas e deve ser enterrado amanhã, na cidade sagrada de Najaf.
Centenas de milhares de xiitas de diferentes cidades do Iraque começaram uma viagem a pé em direção à cidade santa de Karbala, aproximadamente a 100 quilômetros ao sul de Bagdá, para onde o corpo de Hakim será levado hoje.
Líder do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, principal organização xiita iraquiana, Hakim passou 23 anos exilado no Irã antes de voltar para o Iraque, em maio passado.
O mausoléu de Ali, onde ocorreu o atentado de sexta-feira, é considerado um dos principais lugares sagrados para os xiitas, que são 60% da população do Iraque, mas eram reprimidos durante o governo do ex-presidente Saddam Hussein, da minoria sunita.
O conselho liderado por Hakim defende a implantação de um governo islâmico no Iraque semelhante ao existente no Irã.
Atentado O carro-bomba foi detonado em frente o mausoléu de Ali, enquanto milhares de pessoas deixavam o local ao final das orações de sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. A explosão provocou tumultos em Najaf, enquanto pessoas choravam pelas ruas à procura de mais vítimas nos destroços.
Insegurança O aiatolá Mohammad Baqer al-Hakim havia acusado as forças americanas de não manter a segurança no Iraque, numa entrevista concedida na véspera de sua morte ao jornal egípcio Al Ahram que foi publicada ontem.
Dissemos aos americanos que suas políticas no Iraque são erradas, assim como sua compreensão da realidade, disse Hakim. Eles têm uma parte importante de culpa na falta de segurança e na proteção negligente dos locais sagrados, acrescentou.
Hakim também destacou que recebeu informações a respeito da tentativa de assassinato contra o aiatolá Seyed Mohammed Said al-Hakim, ferido num ataque com bomba a sua casa no dia 24 de agosto, no qual morreram três pessoas.
Informei os americanos sobre aquela tentativa de atentado, disse, responsabilizando os partidários de Saddam Hussein pelo ataque.
Hakim também advertiu que algumas facções, que não quis citar, tentavam criar um conflito entre os xiitas.


