Milhares lembram as vítimas do 11 de março
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sexta-feira, 11 de março de 2005
Eva Rodríguez<br>France Presse 
Madrid - Em luto, milhares de pessoas fizeram um minuto de silêncio ao meio-dia (horário local) de ontem na estação ferroviária madrilena de Atocha, em memória das vítimas dos atentados de 11 de março de 2004.
Durante cinco minutos, as pessoas que estavam nesta estação lembraram em silêncio os 191 mortos e 1.900 feridos, num local que se tornou ponto de peregrinação nos dias que se seguiram aos ataques.
No interior da estação, três equatorianos, que estavam neste mesmo local naquele fatídico dia, pediam justiça às autoridades espanholas em dois cartazes. ''Por que estamos no esquecimento? Espanhóis ou estrangeiros são todos iguais e apesar de não estarmos feridos fisicamente ficamos com transtornos psicológicos'', denunciavam os irmãos Víctor e Dorcas Montero.
Junto a eles, a equatoriana Patricia Chico, trazia em seus braços a filha Briney, que nasceu pouco depois da tragédia. ''Devido aos remédios que tomei durante meses, minha menina nasceu com problemas cardíacos, mas ninguém me dá atenção'', afirmou à Agência France Presse. Muitos outros latino-americanos foram à estação para recordar seus amigos ou compatriotas. Minutos antes da homenagem, dezenas de pessoas faziam fila para deixar por escrito o que sentiam no chamado ''Espaço das palavras'', duas telas onde havia mensagens solidárias.
Apesar de ser proibido, os visitantes depositaram ramos de flores, terços e até um boneco de pelúcia rosa e uma aquarela. Entre as rosas e cravos, destacavam as margaridas azuis da jovem Elena Bogdam, uma romena que perdeu a irmã no ataque. ''Só vim aqui porque já não sou capaz de viver. Para mim este dia é muito triste'', explicava, vestida completamente de luto.
Jorge Salamanca, de 22 anos, estava há um ano no trem da rua Téllez e resgatou um bebê. ''Seu pai morreu no ato e o menino no dia seguinte.''.


