Milhares estão fugindo de Bornéu
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Associated Press De Sampit, Indonésia 
Milhares de pessoas procuravam fugir ontem da violência étnica no lado indonésio da ilha de Bornéu que já custou a vida de pelo menos 165 pessoas. Vários navios estavam sendo levados para o porto de Sampit para recolher os refugiados dos conflitos entre os nativos dayaks e imigrantes provenientes da Ilha Madura. De acordo com autoridades locais, as embarcações podem transportar até 7.000 pessoas.
Os refugiados, a maioria de madurenses e outros grupos não nativos, deverão ser levados para o porto de Surabaya, na Ilha de Java. Outros refugiados estão fugindo para diferentes partes de Bornéu.
Em Sampit, cerca de 30 cadáveres de adultos e crianças foram colocados do lado de fora de um hospital. Vários corpos estavam sem cabeça. Segundo o médico Komaruddin Sukhemi, que trabalha no hospital de Sampit, 165 pessoas foram confirmadas mortas.
O governo central enviou para a região dois batalhões para reforçar a segurança da cidade, que fica a 800 quilômetros a nordeste de Jacarta. A situação está ficando cada vez pior, disse o chefe da polícia regional, general-brigadeiro Bambang Pranoto. Os conflitos estão se espalhando por outras cidades onde ainda há muitos madurenses.
Nos últimos 40 anos, dezenas de milhares de pessoas, a maioria de madurenses, mudaram-se para Bornéu. O programa do governo que os levou à região foi desenhado para aliviar áreas superpovoadas, mas gerou ressentimentos entre os nativos de etnia dayak.


