Associated Press
De Maputo
Equipes de resgates conseguiram resgatar milhares de pessoas em árvores e telhados nesta segunda-feira (28), mas milhares de outras pessoas foram deixadas para trás, obrigadas a tentar sobreviver mais uma noite em condições precárias devido às enchentes enquanto as águas continuam a subir.
O major Louis Kirsten, um porta-voz do exército sul-africano, disse que helicópteros resgataram mais de três mil pessoas ontem, entre as quais ele diz estarem incluídas todas as pessoas em perigo imediato em uma área particularmente devastada às margens do rio Limpopo.
‘‘Estamos longe de poder resgatar todo mundo’’, disse Michele Quintaglie, uma porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU). ‘‘Haverá milhares de pessoas deixadas para trás hoje (ontem). Elas dependerão de si mesmas para aguentar mais uma noite.’
Enquanto não é divulgado o número exato de mortos, Quintaglie disse estar certa de que a cifra já está na casa dos milhares. Outros funcionários humanitários disseram que o número continuaria subindo, especialmente quando as pessoas começarem a morrer devido a doenças disseminadas durante as últimas três ou quatro semanas.
A África do Sul informou que enviaria ontem mais três helicópteros militares para se incorporar aos cinco que já atuam no resgate de pessoas afetadas pelas enchentes em Moçambique. Mesmo com as novas aeronaves, funcionários da força aérea sul-africana disseram que levariam dias para resgatar todas as pessoas ainda isoladas pelas águas.
Tom Harrer, um assessor da agência humanitária governamental, disse que muitas pessoas se recusam a dar ouvido aos alertas sobre rios prestes a transbordar. ‘‘Elas estão despreparadas para a extensão das enchentes, que estão nos maiores níveis já registrados por nós.’
Ontem, as águas atingiram dois metros de altura em Chokwe, uma cidade de 40 mil habitantes localizada a cerca de 200 quilômetros da capital Maputo, deixando o local submerso em questão de poucas horas. Equipes de vôo disseram que um lago de cerca de 30 quilômetros de extensão cerca Chokwe a partir do rio Limpopo.
Paul Tyndale-Biscoe, um engenheiro que estava em Chokwe quando a cidade foi atingida pelas enchentes, disse ter visto corpos de pessoas e carcaças de animais sendo levadas pelas águas. Um piloto sul-africano, falando em condição de anonimato, disse que as enchentes também destruíram 150 toneladas de comida doada e armazenadas no maior depósito de Chokwe.
Quintaglie disse hoje que os helicópteros se concentraram no resgate de pessoas isoladas em árvores nas proximidades de Chokwe, dando prioridade, quando possível, a pessoas com crianças em suas costas. ‘‘Em alguns lugares, as pessoas se seguraram em galhos durante toda a noite com os filhos em suas costas’’, relatou.
As equipes de resgate disseram que a maioria das operações foi tranquila ontem, sem a repetição dos incidentes de ontem, quando funcionários humanitários tinham de lutar contra pessoas desesperadas que tentavam subir a bordo de helicópteros totalmente lotados.
Domingo, em alguns locais, as equipes de resgate assistiram sem nada poder fazer a desabamentos de prédios momentos antes de helicópteros realizarem o salvamento, fazendo com que dezenas de homens, mulheres e crianças fossem levados pelas águas.
Em Genebra, a Cruz Vermelha Internacional apelou para a doação de mais dinheiro para possibilitar o pagamento de mais helicópteros de resgate, importantes para o salvamento de pessoas vítimas das enchentes em Moçambique.
‘‘Os fundos para manter os helicópteros em operação estão se esgotando’’, informou ontem a Federação Internacional da Cruz Verrmelha e as Sociedades da Lua Crescente Vermelha por meio de comunicado.Equipes de resgate têm dificuldades em resgatar as vítimas das enchentes em Moçambique, que agora enfrentam ameaça de doenças
France PresseENCHENTEEquipes retiram flagelados em Chokwe, onde as águas atingiram dois metros de altura, deixando o local submerso em poucas horas

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