São Paulo - Milhares de pessoas protestam ontem em várias cidades da Espanha contra as medidas de austeridade impulsionadas pelo governo de Mariano Rajoy para enfrentar a crise da dívida pública no país, um dos mais afetados da Europa.
O maior ato acontece na capital Madri. De acordo com o governo local, cerca de 6 mil manifestantes cercaram o Congresso, pedindo a saída do presidente de governo e a convocação de novas eleições parlamentares.
Os manifestantes gritavam contra o governo, pedindo a saída dos congressistas. ''Fora! Fora! Eles não nos representam! Que sejam demitidos!''
Alguns grupos entraram em confronto com a tropa de choque da polícia. Pelo menos 20 pessoas foram presas e outras 13 ficaram feridas. Apesar do protesto, o Congresso funciona normalmente.
Devido ao ato, o governo espanhol deslocou 1.300 agentes para conter os ânimos dos militantes. Cerca de 300 manifestantes vieram de cidades do interior, como Valladolid, Murcia e Bilbao.
Os participantes do protesto dizem que o número pode ser maior, já que acusaram a polícia de deter ônibus de manifestantes. Os policiais responderam que apenas faziam vistoria aos ocupantes dos veículos.
Os atos também aconteceram em outras cidades do país. Em Barcelona, mais de 400 pessoas se reuniram em frente ao Parlamento local, em uma manifestação pacífica. Não há informações de confrontos com a polícia ou presos na ação.
Em Palma de Mallorca, outros 300 manifestantes protestavam em frente à representação do legislativo, também sem incidentes graves. A organização ainda programou atos no mesmo dia para Tenerife, Pamplona, Málaga, Sevilla, Valencia, Valladolid y Zaragoza, além das embaixadas em Paris, Berlim e Londres.
Os protestos acontecem contra as medidas de austeridade tomadas pela equipe do presidente de governo Mariano Rajoy para alcançar as metas de rigidez orçamentária pedidas pelo Banco Central Europeu. Além da pressão local, o governo espanhol ainda enfrenta a possibilidade do pedido de um resgate financeiro, devido aos juros maiores pagos para conseguir recursos no mercado.
Madri emitiu ontem títulos, com aumento de juros em curto e longo prazo. Na captação, foram obtidos 3,983 bilhões de euros (R$ 9,16 bilhões), com vencimentos em três e seis meses. Também subiram as taxas no prazo de dez anos.
O país deve alcançar a meta de deficit público de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e 4% em 2013 e, para isso, fez cortes em áreas estratégicas, como saúde, educação e programas sociais, para garantir o alvo pedido pela União Europeia.
Cerca de 24,6% da população espanhola está desempregada, o maior número da Europa, e o país está em recessão, registrando queda de 0,4% do PIB no segundo trimestre deste ano.
Mesmo com as medidas, quatro das 17 regiões autônomas - Catalunha, Andaluzia, Valencia e Murcia - pediram resgate ao fundo espanhol, em um valor que supera os 12 bilhões de euros (US$ 15 bilhões).
Ontem, a Andaluzia ampliou seu pedido feito em agosto, passando de 1 bilhão de euros para 4,9 bilhões de euros. A diminuição da atividade econômica também causou efeitos negativos nos bancos, que precisaram de uma ajuda financeira do BCE em junho, que pode chegar a 100 bilhões de euros.

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