Los Angeles - Ao grito de ''sim, é possível'', milhares de imigrantes hispânicos tomaram as ruas do centro de Los Angeles, ontem, respeitando o boicote econômico em todos os Estados Unidos para reclamar a legalização de milhões de pessoas sem permissão de trabalho e residência.
''Hoje marchamos, amanhã votamos e se nos deixam brincamos'', gritavam os manifestantes no centro de Los Angeles, a megalópole da Califórnia onde quase 45% da população são de origem hispânica, e ao iniciar a primeira das três manifestações previstas para o dia.
De acordo com os organizadores dos protestos e a polícia, uma das marchas em Los Angeles poderia superar de longe a manifestação de 25 de março de 2005, quando mais de 500 mil pessoas paralisaram o centro da cidade e onde ontem a maioria das lojas do comércio estava fechada.
As longas avenidas centrais ficaram repletas de manifestantes vestidos com camisetas brancas e carregando, na maioria, bandeiras americanas. Fabian Castelli e Ashley Dawson, residentes no bairro de Hollywood, se aproximaram da marcha vestidos de noivos com uma placa que dizia: ''Estados Unidos, querem casar comigo?''.
Castelli é um desenhista de moda mexicano sem documentos que afirmou ser um trabalhador que contribui com impostos na cidade: ''Quero mostrar ao presidente que trabalhamos duro, não somos criminosos. Nós só viemos aqui e somos bons cidadãos''.
''Eu lutei por gente trabalhadora, porque acredito que essa gente tem o direito de estar aqui, trabalhar duro. Gastam muito dinheiro, pagam impostos e aluguéis como qualquer outra pessoa, mas têm os direitos negados'', destacou María Flores, que vive legalmente nos Estados Unidos desde a década de 60 e acabou tendo as duas filhas em Los Angeles.
Na cidade de Los Angeles, com uma população de 9,5 milhões de habitantes, vivem 4,2 milhões (44,6%) de pessoas de origem latino-americanas.

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