Milhares de civis fogem da Chechênia
Número de refugiados no Cáucaso se aproxima dos 200 mil, enquanto continuam os bombardeios russos sobre Grozny e outras cidades
France PresseKavkazSoldado russo impede mulher chechena de entrar na Ingushétia na fronteira entre as duas repúblicas. Ontem, dois mil refugiados conseguiram passar
Nikolai Topouria
De Kavkaz, Rússia
Cerca de 2 mil chechenos, que fogem da guerra, entraram ontem na Ingushétia pelo posto fronteiriço de Kavkaz, enquanto outros 3 mil esperavam do lado checheno da fronteira, segundo policiais inguches presentes no local.
Os refugiados continuam chegando à fronteira, por causa da continuação dos bombardeios russos contra a região da capital Grozny e no Oeste do país, perto de Samachki e Achjoi Martan, precisou a mesma fonte.
Dois meses depois dos primeiros bombardeios sobre a Chechênia, que começaram em 5 de setembro, o número total de refugiados supera os 195 mil, dos quais 178 mil foram acolhidos pela Ingushétia, pequena república de 340 mil habitantes.
Na quinta-feira, vários dirigentes ocidentais se disseram preocupados com a situação dos refugiados na região.
O Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, expressou sua inquietude em relação às vítimas civis dos bombardeios e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, qualificou a operação militar russa de terrível erro.
O subsecretário de Estado dos EUA, Strobe Talbott, se perguntou se a forma escolhida para as operações (militares) corresponde às leis internacionais.
Mais de 6 mil refugiados entraram esta quinta-feira na Ingushétia, segundo o ministério inguche do Interior.
Os civis que chegam da Chechênia em ônibus, caminhões ou outros veículos, apresentam aspecto extenuado, devido a dias de espera suportados na fronteira.
Todos falam de bombardeios russos no Oeste do país, na estrada entre Rostov e Baku, que devem tomar para fugir até a Ingushétia.
Ontem, os bombardeios se concentraram nos arredores de Grozny e no Oeste da república chechena, segundo fontes militares da Chechênia.
Os disparos de artilharia e de tanques sobre duas localidades situadas a cerca de 15 km ao Sul de Grozny, Aljan-Kala e Zakan-Iurt, além da estrada que liga Rostov e Baku, que passa nos arredores, provocaram a morte de três civis, segundo um correspondente da AFP no local.
Na noite de quinta-feira, vários bairros de Grozny e sua periferia foram atingidos, especialmente os de Staropromyslovski, Kataiama e Piervomaiskaia (Noroeste), além da área do aeroporto de Jeque Mansur, ao Norte, segundo um chefe militar checheno, coronel Issa Munaiev.
Munaiev confirmou as informações dadas pela fonte militar russa, segundo as quais as tropas federais se apoderaram na quinta-feira o controle das localidades de Tolstoi Iurt e Goriacheistotshnenskoie, a cerca de 10 km ao norte de Grozny.
O cerco à capital chechena continua, e as forças russas aumentam dia a dia a pressão sobre a capital Grozny.





