São Paulo - Dezenas de milhares de partidários da oposição saíram às ruas ontem na capital do Iêmen, Sanaa, para pedir reformas democráticas, ao mesmo tempo que acontecia uma manifestação similar de simpatizantes do governo.
As duas marchas aconteciam de maneira calma: os simpatizantes do partido governista Congresso Popular Geral (CPG) estavam reunidos na praça Al Tahrir (Libertação) e os opositores nas proximidades da Universidade de Sanaa, na Zona Oeste da capital.
Os partidários do CPG se reuniram na praça Al Tahrir, local que havia sido escolhido para o protesto da oposição, que se viu obrigada a mudar a área de protesto.
No início da manhã, os manifestantes antigoverno reuniram mais de 20 mil pessoas em Sanaa, a maior concentração de pessoas desde que a onda de protestos em países árabes atingiu o país há duas semanas, inspirados em manifestações que derrubaram o ditador da Tunísia e ameaçam o do Egito.
''O povo quer que o regime mude'', eles gritavam nas proximidades da universidade de Sanaa. As manifestações ocorrem um dia depois de o ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos, ter anunciado que não disputará a reeleição e fez mais concessões à oposição.
Saleh propôs a formação de um ''governo de unidade nacional'', informou que adiará as eleições legislativas previstas para 27 de abril - muito questionadas pela oposição -, e disse que é favorável da adoção de reformas políticas antes do pleito. ''Não haverá governo hereditário nem presidência vitalícia'', disse Saleh, cujo atual mandato termina em 2013, durante uma reunião extraordinária com o Parlamento e o conselho consultivo.
Saleh também prometeu que seu filho não assumirá as rédeas do governo, entre outras concessões políticas. Trata-se da ação mais ousada do ditador para manter os tumultos fora do Iêmen, um aliado importante dos Estados Unidos contra a Al Qaeda.
O maior partido opositor iemenita, o Al Islah, recebeu bem a iniciativa de Saleh, mas ignorou um apelo presidencial para desmobilizar os protestos. Manifestantes antigoverno parecem não estar totalmente em concordância - alguns pedem pela queda de Saleh, enquanto outros querem que ele prove que irá cumprir suas promessas.

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