Migrações econômicas vão crescer
Ao final destes 99 anos de grandes transposições, o mundo tem um turbilhão de migrantes em correntes que ainda devem durar por muito tempo. Em busca de melhores condições de vida, milhares de trabalhadores rumam em pequenos fluxos para os países que concentram riquezas. ‘‘As migrações de caráter econômico aumentam na mesma proporção em que aumenta a velocidade da informação’’, explica o geógrafo Milton Santos. ‘‘Sabe-se mais rapidamente onde está a riqueza.’’
Estas correntes começaram já nos anos 60, mas ainda estavam sobre as trilhas que ligavam antigas metrópoles e colônias. Nos anos 80 e 90, a globalização acentuada das relações econômicas, a comunicação rápida e o transporte mais acessível permitem novas rotas. ‘‘O baixo crescimento populacional e a elevação do padrão de vida nos países ricos abrem um mercado de trabalho de segunda classe e de renda menor, entregue a trabalhadores de países pobres’’, diz Rosa Ester.
Assim, brasileiros juntaram-se aos mexicanos e demais latinoamericanos hispânicos rumo aos Estados Unidos. Pelo menos 10 milhões de imigrantes foram admitidos legalmente naquele país entre os anos 60 e 80, sem contar os incalculáveis ilegais. Como a Europa também emprega mão-de-obra terceiromundista, para lá rumam outros brasileiros. ‘‘Oficialmente, há pelo menos 1% da população brasileira no exterior’’, diz Rosa.
Além das correntes da América Latina para Estados Unidos e Europa, consolidam-se nestes 30 anos os fluxos para o Japão e para o pólo produtor de petróleo do Oriente Médio. Coréia, Indonésia e demais países do Sudeste Asiático enviam trabalhadores para a então próspera economia japonesa, enquanto os petrodólares atraem, por exemplo, os paquistaneses. Eles chegaram a somar 3 milhões no auge das migrações, entre 70 e 80.
A partir dos anos 80, o colapso dos regimes ditos socialistas e o fim da Guerra Fria permitem a fuga de europeus do leste, em busca de emprego e melhor padrão de vida na antiga Alemanha Ocidental.

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