Um tribunal francês que está investigando a diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, citou "anomalias e irregularidades" em sua decisão de aprovar um grande pagamento para um empresário quando ela era ministra das Finanças da França, disse um site de notícias francês.

O Mediapart publicou um documento jurídico de nove páginas explicando a razão legal por trás do decreto de 4 de agosto para que Lagarde fosse colocada sob investigação por ter aprovado o pagamento de 285 milhões de euros a Bernard Tapie, amigo do presidente Nicolas Sarkozy.

O documento feito por uma comissão de três juízes da Corte de Justiça da República, com poderes especiais para julgar ministros, diz que Lagarde parece ter contribuído para eventos cuja legalidade é questionável.

"A ministra parece ter contribuído pessoalmente para os eventos, principalmente dando instruções de votação para representantes do estado no procedimento de arbitragem", diz o documento publicado no Mediapart.

Tapie alegou que o antigo banco estatal Crédit Agricole o havia prejudicado na venda em 1993 de sua parte na Adidas. Ele perdeu o caso na principal corte da França em 2006 e estava apelando da decisão quando Sarkozy assumiu a Presidência em 2007.

Lagarde, que nega qualquer conduta imprópria, arquivou o caso, apesar das objeções de algumas autoridades do ministério, e levou adiante um processo de arbitragem, argumentando que ele era necessário para resolver o caso rapidamente.

Agora ela está sendo investigada por cumplicidade na malversação de fundos públicos. Não há sugestões de que tenha lucrado pessoalmente com o acordo final.

A investigação é constrangedora para o FMI, que nomeou Lagarde em junho para o cargo de direção que era de Dominique Strauss-Kahn. Strauss-Kahn está se defendendo de acusações de tentativa de estupro de uma camareira de um hotel nova-iorquino.

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