Micheletti sitia Zelaya em missão do Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Folhapress 
São Paulo - Forças de segurança cercaram ontem a Embaixada do Brasil em Honduras após entrarem em confronto com apoiadores do presidente deposto, Manuel Zelaya, que haviam se aglomerado em frente à representação na véspera para saudar o retorno do líder, deposto há 87 dias e refugiado no local desde então.
Utilizando bombas de gás lacrimogêneo, soldados e policias obrigaram cerca de 4.000 manifestantes pró-Zelaya a deixar os arredores da representação do Brasil em Tegucigalpa e ocuparam prédios contíguos, enquanto helicópteros sobrevoavam o local. Manifestantes reagiram atirando pedras, e ao menos 20 pessoas ficaram feridas.
Durante a madrugada, o governo golpista cortara água, luz e telefone da casa de dois andares que abriga a representação, deixando as estimadas 313 pessoas presentes -depois reduzidas a 70- na dependência de um gerador de energia a diesel.
Ao menos duas bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra a embaixada brasileira durante a dispersão, mas não houve relatos de feridos.
Em clima de tensão, durante o dia de ontem forças de segurança patrulharam ruas de Tegucigalpa para garantir o cumprimento do toque de recolher decretado pelo governo golpista depois da confirmação da volta do deposto, estendido ao menos até hoje.
Segundo a polícia, cerca de 150 pessoas foram presas por desrespeito ao toque de recolher e por participação em distúrbios -que incluíram ataque a veículos das forças de segurança- e levados a um estádio de beisebol. Foram fechados também os quatro aeroportos internacionais hondurenhos e postos de controle na fronteira.
A emissora pró-Zelaya Canal 36 teve a energia elétrica cortada e não realizava transmissões desde a noite de segunda. Para o governo golpista, a imprensa realiza terrorismo midiático.
O presidente deposto, que adotou o bordão pátria, restituição ou morte, disse que o cerco à representação permitia antever atos piores de agressão e violência, inclusive a invasão da embaixada do Brasil.
Sabemos que estamos em perigo. [Mas] estamos dispostos a arriscar tudo, a nos sacrificar, disse Zelaya, que convocou partidários a Tegucigalpa.
O líder golpista, Roberto Micheletti, rejeitou, porém, uma invasão: Digo publicamente ao presidente Lula, respeitaremos sua sede, porque é terra do Brasil, e nós a respeitaremos.
Micheletti elogiou pedido de Lula a Zelaya para que não promova atos que deem argumentos a uma invasão, mas voltou a cobrar de Brasília que conceda asilo ao deposto -o que Zelaya rejeita- ou então o entregue à Justiça hondurenha para a realização do devido processo.
Repercussão
Os Estados Unidos disseram que garantirão a segurança dos diplomatas e da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, se a situação chegar a esse ponto. A declaração foi feita pelo porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. Brasil e EUA temem que Roberto Micheletti e o regime golpista possam desrespeitar os tratados internacionais que garantem a inviolabilidade das embaixadas ou, pior, que façam vista grossa para tentativas de aliados de fazer isso.
Ontem durante seminário em São Paulo, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, comentou: A regra do asilo é a regra da civilização. Não é uma regra da incivilidade, da barbárie. O fato dele ter entrado não significa em nenhum momento que o Brasil incentivou, deu cobertura, nada disso. O País simplesmente respeitou. E, caso contrário, seria um ato brasileiro infundado.(Colaborou Catarina Scortecci)


