São Paulo - O governo golpista de Roberto Micheletti em Honduras impediu que Manuel Zelaya deixasse a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa rumo ao México ontem à noite (madrugada de hoje no Brasil), sob o argumento de que o pedido de salvo-conduto feito pelo governo mexicano para retirar o deposto do país não preenchia ''as condições jurídicas exigidas''.
O governo Micheletti diz que Zelaya teria de deixar o país na condição de asilado e só o faria depois de reconhecer, em um documento, que já não é o presidente hondurenho.
''O governo de fato teve outro fracasso ao querer fazer com que eu renunciasse a meu cargo. Posso ficar aqui (na embaixada brasileira) dez anos, pois aqui tenho meu violão'', disse Zelaya.
O plano de retirada foi abortado quando o avião oficial mexicano que levaria Zelaya, sua mulher Xiomara, dois de seus filhos e o assessor Rasel Tomé estava prestes a pousar em Tegucigalpa, depois das 22h locais, ontem. A aeronave acabou indo para El Salvador.
''Foi uma frustração total'', resumiu à reportagem o encarregado de negócios da embaixada brasileira, Francisco de Catunda. Agora, o deposto deve permanecer na representação do Brasil -81 dias até agora- até o fim de seu mandato formal, em 27 de janeiro.
Segundo o governo golpista, o deposto deveria assinar nota reconhecendo a decisão do Congresso Nacional de Honduras de não restituí-lo ao poder.

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